Com aporte de quase R$ 2 bi, St. George projeta nova fronteira para nióbio e terras raras em Araxá

Com aporte de quase R$ 2 bi, St. George projeta nova fronteira para nióbio e terras raras em Araxá

Araxá, em Minas Gerais, deve consolidar ainda mais sua posição como polo global de minerais estratégicos. A mineradora australiana St. George anunciou planos de investir até US$ 350 milhões (cerca de R$ 1,94 bilhão) para tirar do papel seu projeto de extração de nióbio e terras raras. A iniciativa coloca a empresa no mesmo território de operação da gigante Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), mas com uma estratégia focada na diversificação da cadeia global de suprimentos. 

Atualmente em fase de estudos metalúrgicos e análises técnicas, o cronograma da companhia prevê o início da produção de nióbio para 2028, seguida pelas terras raras em 2029. O primeiro grande marco operacional deve ocorrer já em 2026, com a conclusão dos estudos de viabilidade e estimativas de custos de capital (Capex).

“No caso do nióbio, é mais fácil, pois ele é produzido naquela área há mais de 40 anos e nossa equipe é altamente experiente em produção e mineração”, disse John Prineas, CEO da St. George, em entrevista ao Valor Econômico. 

A escolha por operar dois minerais distintos no mesmo ativo é estratégica. Segundo Prineas, o nióbio servirá como um pilar de estabilidade financeira para o projeto.

Enquanto a metalurgia do nióbio é considerada mais simples e conta com mão de obra local experiente, as terras raras apresentam maior complexidade técnica e volatilidade de preços. Ao processar ambos, a empresa evita o descarte de minerais valiosos como rejeito e otimiza a rentabilidade da planta.

Rivalidade com CBMM? 

Prineas argumenta que a St. George não entra em Araxá para rivalizar diretamente com a CBMM – que detém cerca de 80% do mercado de nióbio -, mas para oferecer a diversidade de oferta exigida por indústrias de alta tecnologia e defesa. Para sustentar esse avanço, a mineradora já firmou um memorando de entendimento com a norte-americana REAlloys para o fornecimento de até 40% de sua produção de terras raras, além de acordos similares com parceiros chineses voltados ao nióbio.

Apesar das ambições globais, a mineradora reforça que o mercado brasileiro é prioritário. A empresa integra o projeto MagBras, coordenado pelo SENAI e pela FIESC, que visa criar uma cadeia nacional completa de produção de ímãs permanentes, diminuindo a necessidade de importações pelo Brasil.

Em termos de recursos, as projeções iniciais são robustas: 41,2 milhões de toneladas de nióbio e 40,6 milhões de toneladas de terras raras. Como apenas 10% da área de concessão foi explorada até o momento, a St. George acredita que esses números podem crescer significativamente à medida que as sondagens avancem no Planalto de Araxá.

A St George Mining possui um portfólio diversificado, dividido principalmente entre o Brasil e a Austrália Ocidental. São eles: 

Projeto Araxá (Brasil) 

Localização: Araxá, Minas Gerais, Brasil.

Minerais: Nióbio (Nb) e Elementos de Terras Raras (REE).

Resumo: É atualmente o projeto mais importante da empresa. Localizado estrategicamente ao lado da mina da CBMM (maior produtora de nióbio do mundo), o projeto possui teores altíssimos.

Status: Fase de estudos metalúrgicos e análises técnicas. A empresa tem parcerias estratégicas com a Hancock Prospecting e acordos de venda com a ReAlloys.

Projeto Mt Alexander (Austrália)

Localização: Yilgarn Craton, Austrália Ocidental.

Minerais: Níquel (Ni), Cobre (Cu), Elementos do Grupo da Platina (PGE) e Lítio (Li).

Resumo: Por anos foi o projeto principal. Inclui as descobertas de sulfeto de níquel de alto teor em Cathedrals Belt. Recentemente, a empresa expandiu o foco para o prospecto de lítio Jailbreak, onde identificou pegmatitos com espodumênio.

Status: Exploração ativa com parceria (Joint Venture) com a IGO Limited em partes da concessão.

Projeto Ajana (Austrália)

Localização: Região de Mid West, Austrália Ocidental.

Minerais: Zinco (Zn), Chumbo (Pb), Prata (Ag) e potencial para Cobre/Níquel.

Resumo: Situado em uma área histórica de mineração de base, a St George utiliza geofísica moderna para identificar depósitos “cegos” (escondidos sob cobertura).

Status: Resultados recentes de perfuração confirmaram mineralização de zinco-chumbo-prata em profundidades rasas.

Projeto Destiny (Austrália)

Localização: Região de Goldfields, Austrália Ocidental.

Minerais: Terras Raras (REE) em argilas iônicas.

Resumo: Um projeto focado em depósitos de argilas saprolíticas ricas em terras raras magnéticas (como Neodímio e Praseodímio), que são mais fáceis e baratas de processar.

Status: Descoberta recente com mineralização confirmada em uma extensão de vários quilômetros.

Projeto Broadview (Austrália)

Localização: Wheatbelt, Austrália Ocidental.

Minerais: Cobre (Cu), Níquel (Ni) e PGE.

Resumo: Localizado perto da famosa descoberta de Julimar (da Chalice Mining). O projeto cobre duas grandes anomalias magnéticas interpretadas como intrusões máficas potencialmente mineralizadas.

Status: Exploração em estágio inicial (Greenfields).

Projeto Paterson (Austrália)

Localização: Região de Paterson, Austrália Ocidental.

Minerais: Cobre (Cu) e Ouro (Au).

Resumo: Situado em uma província mineral de classe mundial (perto de depósitos como Telfer e Winu). O foco é em anomalias magnéticas e gravitacionais que podem indicar sistemas de cobre-ouro.

Status: Exploração em estágio inicial.