Borborema deve investir até R$ 3,6 bilhões para consolidar polo verticalizado de terras raras na Bahia

Borborema deve investir até R$ 3,6 bilhões para consolidar polo verticalizado de terras raras na Bahia

A Borborema Recursos Estratégicos, subsidiária da australiana Brazilian Rare Earths (BRE), anunciou um plano de investimentos que pode chegar a R$ 3,6 bilhões para a consolidação de um polo de produção de Elementos Terras Raras (ETRs) na Bahia. O projeto, que abrange desde a extração mineral até a separação química de óxidos, baseia-se na descoberta de depósitos com teores de mineralização considerados excepcionais para os padrões globais, localizados na Província Rocha da Rocha, no centro-sul do estado. O aporte financeiro será dividido entre duas frentes principais de operação. A primeira unidade, o Projeto Monte Alto, está situada entre os municípios de Jiquiriçá e Ubaíra e será focada na lavra e concentração do minério. A segunda etapa do cronograma prevê a instalação de uma planta hidrometalúrgica no polo industrial de Camaçari, destinada ao refino e à separação dos óxidos, etapa de maior valor agregado na cadeia produtiva desses minerais. Segundo a empresa, a viabilidade do investimento bilionário é sustentada pelos resultados das pesquisas minerais realizadas no alvo Monte Alto. De acordo com os dados técnicos da companhia, a área apresenta um teor médio de 16% de óxidos de terras raras (OTR). O índice é significativamente superior à média de descobertas mundiais, que gira em torno de 0,15%, e supera até mesmo depósitos considerados de alto teor, que variam entre 5% e 8%. Com esses números, a Borborema busca posicionar a Bahia como um player estratégico na oferta de insumos para indústrias de alta tecnologia, como a de veículos elétricos, turbinas eólicas e inteligência artificial. Atualmente, o projeto encontra-se na fase de Estudos de Impacto Ambiental (EIA) e licenciamento conduzido pelo Ibama. No Projeto Monte Alto, a empresa adotará um modelo de beneficiamento que prioriza a recirculação de água e o empilhamento de rejeitos a seco. A medida elimina a necessidade de construção de barragens de mineração, um ponto central nas discussões de segurança do setor mineral brasileiro. Inicialmente, a planta produzirá um concentrado de terras raras voltado ao mercado externo. Já a planta hidrometalúrgica em Camaçari funcionará como um hub de processamento. Além de beneficiar o minério extraído pela própria Borborema, a unidade terá capacidade para processar concentrados vindos de outros projetos nacionais e internacionais. Para viabilizar a rota tecnológica de separação, a companhia firmou uma parceria com a francesa Carester, que colaborará no desenvolvimento do processo e já garantiu a compra de parte da produção de terras raras pesadas (disprósio e térbio). A implantação do polo deve alterar a dinâmica econômica das regiões envolvidas através da geração de empregos e do recolhimento da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM). A empresa afirma que a mão de obra local será priorizada nas fases de instalação e operação. O cronograma de implantação seguirá as etapas de consulta pública e engajamento com as comunidades das áreas de influência, conforme as normas regulatórias. Se confirmadas as expectativas de produção e refino, o Brasil poderá dar um passo importante para deixar de ser apenas exportador de minério bruto e passar a fornecer produtos acabados para a cadeia de transição energética global.