Cedro Mineração irá investir R$ 3,5 bi na produção de minério de alto teor em Mariana
Buscando expansão no mercado de insumos para a siderurgia de baixo carbono, a Cedro Mineração confirmou um plano de investimento de US$ 640 milhões (aproximadamente R$ 3,5 bilhões) na implantação de uma nova unidade em Mariana, na região Central de Minas Gerais. O foco do projeto é a produção anual de 5 milhões de toneladas de pellet-feed de redução direta (PFRD), um concentrado de ferro com elevado teor (67%) e baixo teor de contaminantes.
O PFRD é um insumo de alta demanda global, crucial para a fabricação de aço com menor emissão de dióxido de carbono. Seu preço de mercado é significativamente superior ao do minério tradicional (sinter-feed e hematitinha), podendo alcançar até US$ 180 por tonelada.
A viabilidade econômica do empreendimento foi assegurada por um acordo estratégico de longo prazo (mais de 15 anos) com a Vale. A Cedro arrendou reservas de minério de ferro pertencentes à Vale, adjacentes à sua operação existente em Mariana.
A união dessas reservas permitirá a abertura de uma nova cava e a instalação de uma planta industrial de concentração. O acordo inclui, também, a compra integral da produção pela Vale, que utilizará sua infraestrutura logística para escoar o minério.
O projeto de ampliação da mina prevê uma planta para pellet feed de redução direta (PFRD). O projeto conceitual foi conduzido pela empresa ECM, enquanto o detalhamento coube à companhia Ausenco. A futura correia transportadora de longa distância, essencial para o transporte do minério e com extensão de 18 km, ainda não possui fornecedor definido.
O PFRD será transportado da mina até um terminal da Vale, adjacente à Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM), por meio de uma correia transportadora encapsulada de 19 km, uma das mais extensas do país. O encapsulamento busca evitar a dispersão do minério superfino, e há planos para equipar a correia com painéis solares para autossuficiência energética.
Em termos ambientais, o projeto prevê a eliminação do uso de barragens, adotando a tecnologia de empilhamento a seco dos rejeitos, uma prioridade em Minas Gerais após os desastres recentes. O PFRD da Cedro, com baixo teor de fósforo, alumina e sílica, é destinado majoritariamente à exportação, visando mercados com disponibilidade de gás natural, como Oriente Médio e Norte da África, onde é utilizado em usinas de redução direta.
A Cedro já deu entrada no pedido de licenciamento ambiental e se encontra na fase final da engenharia básica. O cronograma prevê o início das obras de abertura da cava para o segundo trimestre de 2026 e o início da produção para o final de 2028 ou começo de 2029.
A empresa planeja financiar o projeto com 30% de capital próprio e buscar 70% em dívida, com intenção de obter financiamento junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A expectativa é de gerar 1,5 mil empregos durante a construção e 300 diretos na fase operacional, além de 1,5 mil indiretos.
O arrendamento de reservas de menor porte, que não se enquadram na estratégia de alocação de capital da Vale, tem sido uma tática da gigante para rentabilizar ativos e fomentar parcerias com mineradoras de médio porte, como é o caso da Cedro. A operação de arrendamento já foi aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), estando pendente a análise final da Agência Nacional de Mineração (ANM).
Cedro projeta atingir produção de 20 milhões de toneladas de minério de ferro por ano após 2030

A Cedro Mineração, com operações completas desde a extração até a comercialização do minério de ferro, possui atualmente uma produção total de 7 milhões de toneladas por ano (Mtpa). Essa produção se divide entre suas duas minas em Minas Gerais: 3,9 Mtpa na Cedro Extrativa, em Nova Lima, e 3 Mtpa na Cedro Mariana.
Com a ampliação da mina de Mariana, a capacidade produtiva da empresa está projetada para saltar para cerca de 10 Mtpa. A visão de longo prazo da Cedro aponta para uma expansão ainda maior, com a projeção de alcançar 20 Mtpa após 2030.
As operações de mineração da empresa em Mariana e Nova Lima são responsáveis pela geração de 1.500 colaboradores diretos e outros 1.500 colaboradores indiretos, totalizando 3.000 empregos.




