Brasil e Arábia Saudita estreitam laços para investimentos em mineração e mapeamento geológico

Brasil e Arábia Saudita estreitam laços para investimentos em mineração e mapeamento geológico

Em agenda oficial realizada em Riad nesta segunda-feira (12), representantes dos governos do Brasil e da Arábia Saudita estabeleceram as bases para aprofundar a cooperação estratégica no setor mineral. O encontro entre o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, e o ministro da Indústria e Recursos Minerais da Arábia Saudita, Bandar Al-Khorayef, resultou no acordo para a criação de um grupo de trabalho bilateral voltado ao estudo de iniciativas conjuntas e ao intercâmbio de investimentos.

Um dos pontos centrais da reunião foi a ampliação do conhecimento geológico do subsolo brasileiro. Atualmente, segundo o ministro Silveira, apenas 30% do território nacional possui mapeamento detalhado. Durante a reunião, foi solicitado o apoio do Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita (PIF) para projetos de mapeamento, visando identificar novas jazidas e estruturar futuros investimentos.

O governo brasileiro destacou o potencial de reservas do país, que ocupa a segunda posição global em terras raras e a sétima em urânio. O interesse saudita no setor já se materializa através da Manara Minerals, que detém participação na Vale Base Metals (VBM), unidade focada em cobre e níquel. 

A pauta também priorizou projetos de minério de ferro de alta redução e cobre, com foco operacional nos estados do Pará e Minas Gerais. A estratégia apresentada aos sauditas visa não apenas a extração, mas o incentivo à verticalização da produção. O objetivo discutido é atrair capital para a cadeia de transformação mineral em solo brasileiro, visando agregar valor ao produto final e ampliar a competitividade internacional.

No âmbito institucional, foi apresentado aos sauditas o funcionamento do Conselho Nacional de Política Mineral (CNPM). A estrutura, que integra 18 ministérios, tem como função a formulação de políticas para o setor, com foco na simplificação de processos de licenciamento e na coordenação regulatória. Segundo a comitiva brasileira, o órgão busca oferecer maior previsibilidade e segurança jurídica para contratos de longo prazo, fatores considerados essenciais para a captação de aportes estrangeiros.

Ainda conforme o governo brasileiro, o novo grupo de trabalho bilateral manterá reuniões regulares, inclusive em formato virtual, para monitorar o avanço das parcerias e a viabilidade técnica de projetos em conjunto entre os dois países.