Boliden está na dianteira da descarbonização de suas minas
Peter Wallin, gerente do programa de eletrificação da mineradora Boliden, abriu o programa da Electric Mine, evento que acontece em Lisboa, Portugal, até esta quinta (7), com cobertura da revista Minérios & Minerales, apresentando a palestra de título provocativo: “A Europa deveria olhar para o Leste na eletrificação?” – tendo como ilustração uma foto da Muralha da China.
Ele apontou que a despeito de suas minas se posicionarem já abaixo das médias globais em termos de emissões de carbono, a empresa mantém a meta de atingir zero emissão em 2050.
No transporte entre minas e fundições, os caminhões elétricos Scania dobraram a capacidade das baterias e reduziram o tempo de carga elétrica em poucos anos. Há também 30 caminhões Volvo elétricos em operação contínua 24 horas por dia, 7 dias por semana. A meta é alcançar 100% de transporte rodoviário elétrico no menor prazo possível.
Nas minas subterrâneas, operam caminhões rebaixados e LHDs (carregadeira subterrânea) elétricos, visando a chegar a 80% do volume transportado em 2030.
Wallin destacou que em dezembro, a China comercializou 45 mil caminhões elétricos, superando outros países, lembrando que as baterias em produção comercial hoje têm preços competitivos, se comparado aos primeiros protótipos. Lembrou ainda que há notícias de novas frotas de caminhões elétricos operando em minas da China e Mongólia. A própria Boliden e a mineradora LKAB estão efetuando testes com os mesmos.
Entretanto, o executivo citou que existe ainda preocupação sobre a segurança e a confidencialidade dos dados gerados pelos equipamentos, a despeito da firme garantia dada pelos fabricantes.
No painel sobre “Projetos de eletrificação nas minas”, Clayton Sanders, líder de tecnologia da First Quantum Minerals, que produz cobre em duas minas na Zâmbia – país com energia abundante de origem hidrelétrica –, revelou que implementou com sucesso 10 km de sistema trolley para caminhões carregados, com tecnologia própria patenteada e recursos financeiros da empresa. Ele apontou que o projeto demandou muita engenharia, gestão e hardware adequado. O payback levou apenas 1 ano.
Bjorn Jonsson, gerente global para mineração da ABB, revelou no painel que as soluções de eletrificação têm demanda crescente, e sugere que os projetos sejam executados por etapas, mensurando-se os resultados obtidos.
Ele lembra que a digitalização pode ser uma ferramenta importante, já difundida na operação das plantas industriais. Entretanto, aplicar o mesmo conceito numa frota móvel na mina é uma tarefa muito mais extensa. “Cada mina é única, com suas restrições e gargalos”, reforçou.




