De rejeito ao produto comercial, caulim se torna exemplo da mineração sustentável
A indústria mineral vive uma mudança de paradigma. A fronteira da extração não se limita mais apenas a novas jazidas, mas reside na inteligência de reaproveitar recursos já disponíveis. No beneficiamento de caulim, o que antes era um passivo crítico e um desafio de disposição geotécnica, hoje se torna o motor da economia circular.
A Artemyn (ex-Imerys), operando em Barcarena (PA) desde 1996, consolidou-se como a maior planta de beneficiamento de caulim do mundo, com capacidade de 1,2 milhão de toneladas/ano. Agora, a empresa dá um passo histórico com o lançamento do WH – Working Horse, um produto que nasce do reaproveitamento de rejeitos.
O Produto WH: Inovação e Engenharia de Processos
O WH é um blend inovador onde 50% da composição provém de material recuperado da bacia de rejeitos. O projeto foi idealizado por uma equipe técnica da Artemyn, liderada por Roberto Silva (Coordenador de Produção), Gilberto Correa (Gerente de Produção e Bacias) e Luan Victor Mourão (Trainee de Engenharia de Processos).
Rota de Processamento e Tecnologia
A viabilidade do WH foi comprovada através de rigorosos estudos de caracterização físico-química e mineralógica do rejeito da Bacia 3. A rota produtiva inclui:
- Captação Controlada e Homogeneização: Coleta seletiva na bacia e ajuste inicial.
- Ajuste Reológico: Sistema de blendagem para distribuição granulométrica precisa.
- Separação Sólido-Líquido: Uso de centrifugação para segregar frações finas.
- Purificação: Separação magnética para remoção de contaminantes ferromagnéticos.
- Acabamento: Filtragem, moagem, peneiramento e alvejamento para garantir propriedades ópticas e técnicas equivalentes ao caulim tradicional.
Ganhos Ambientais e Eficiência Operacional
A introdução do WH no portfólio da Artemyn traz números expressivos que reforçam a sustentabilidade do projeto:
- Redução de Extração: Diminuição de até 5% na necessidade de matéria-prima virgem.
- Descarbonização: Redução de 3% nas emissões de CO₂ e economia de 6.000 litros de diesel até o momento (com projeção de redução anual de 240 mil toneladas de CO₂).
- Eficiência Energética: O processo consome até 15% menos energia que as rotas tradicionais.
“A mineração do futuro não é apenas extrativa, mas regenerativa. O que era um problema ambiental tornou-se uma solução lucrativa”, destaca o texto técnico do projeto.
Segurança Geotécnica e Conformidade Normativa
Além do viés comercial, a retirada de material das bacias é uma estratégia de segurança operacional:
- Estabilidade: Redução de até 10% no volume acumulado das bacias.
- Vida Útil: Prolongamento da operação em pelo menos cinco anos.
- Compliance: Atendimento à Resolução nº 95/2022 da ANM, garantindo a borda livre e mitigando riscos de galgamento em períodos chuvosos.
- Mitigação de Riscos: Redução potencial de 40% nos riscos de incidentes em áreas críticas.
Viabilidade Econômica e Impacto Social
Os resultados financeiros de 2025 já validam o modelo de negócio. Em apenas dois meses (janeiro e fevereiro), foram produzidas 4 mil toneladas de WH, gerando uma economia superior a R$ 600 mil.
| Indicador Econômico | Projeção / Resultado |
| Economia Bimestral | > R$ 600 mil |
| Retorno Financeiro Anual (Projeção) | R$ 2 milhões |
| ROI (Retorno sobre Investimento) | 0,5 |
A operação impacta diretamente 1.400 colaboradores e, indiretamente, cerca de 10.000 pessoas, considerando a rede de fornecedores e familiares na região de Barcarena.
Futuro e Mercado
Com o crescimento de setores como construção civil sustentável, cerâmica ecológica e polímeros, o WH posiciona a Artemyn de forma competitiva no mercado global de produtos de baixo impacto ambiental. Sob uma nova administração focada em princípios ESG, a empresa demonstra que a inovação em rejeitos é o caminho para um setor mineral mais verde, inteligente e resiliente.



