Aproveitamento de Rejeito de Bauxita: Tijolos Ecológicos com Resistência 4,9x Superior
Um estudo desenvolvido em parceria entre a Alcoa Juruti (PA) e a Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) comprovou a viabilidade técnica e mecânica do uso de rejeitos provenientes das lagoas de disposição (LDs) na fabricação de materiais de construção civil. Os resultados apontam que tijolos confeccionados com rejeito de bauxita apresentam uma resistência à compressão 4,9 vezes maior que os modelos convencionais.
Eficiência Mecânica e Ensaios de Compressão
Os testes foram realizados no Laboratório de Materiais de Construção da UFOP, utilizando corpos de prova constituídos por 1/3 de rejeito de bauxita e argila. Sob condições extremas de saturação, os resultados foram impressionantes:
- Tijolo Convencional: Resistência de 33,5 MPa e força máxima de 6.059 N.
- Tijolo Ecológico (Rejeito Alcoa): Resistência de 162,6 MPa e força máxima de 32.074 N.
- Vantagem: A composição química do rejeito, rica em ferro (Fe2O3 ~25%) e sílica (~23%), contribui para a alta performance mecânica do agregado.
Benefícios Ambientais e Prolongamento da Vida Útil das LDs
A implementação desta solução sustentável atende aos conceitos de economia circular na mineração, oferecendo vantagens estratégicas para o empreendimento:
- Redução de Impacto: Diminuição do volume de massa depositado nas lagoas de disposição.
- Vida Útil Estendida: A extração contínua do rejeito para reaproveitamento prolonga a capacidade operacional das lagoas existentes.
- Ganho Financeiro: Redução de custos evitados com investimentos em novas estruturas de contenção e disposição.
Oportunidades para a Construção Civil e Comunidade
Além dos tijolos ecológicos, o estudo indica que o agregado artificial proveniente da bauxita pode ser aplicado em:
- Blocos de cimento e telhas;
- Base e revestimento de pavimentos;
- Geração de renda: Criação de novos modelos de negócio para as comunidades nas áreas de influência da mina de Juruti.
A pesquisa reforça que o rejeito mineral, antes visto apenas como um passivo, é uma alternativa promissora para o desenvolvimento de produtos de base tecnológica, minimizando os impactos das unidades geradoras e promovendo o crescimento sustentável do estado do Pará.
Autores: Arthur Ferreira de Carvalho (UFOP), Antonio Maria Coutinho, Luiz Francisco Lemos Maia Junior e Victor Lucas Bretas (Alcoa Juruti).







Boa tarde. Não se consegue faz tijolo com os rejeitos de mineração de Minas, tipo Brumadinho?
Bom dia, tem de se fazer uma análise prévia atestando a não presença de metais pesados e/ou outros contaminantes provenientes do beneficiamento do ferro, como reagentes, etc… que podem ser prejudiciais a saúde se a concentração dos mesmos for acima do permitido. Em todo caso, vale muito a pena analisar a possibilidade de empregar os rejeitos na geração de subprodutos.