Tijolo de rejeito é cinco vezes mais resistente

Este trabalho tem por objetivo elencar opções sustentáveis para utilização de material oriundo das lagoas de disposição (LDs) do beneficiamento do minério de bauxita, do empreendimento de mineração da Alcoa World Alumina Brasil, no município de Juruti (PA).
Uma das soluções é a aplicação do rejeito na fabricação de tijolos para a construção civil. Foram confeccionados corpos de prova constituídos de 1/3 de rejeito coletado de LD e realizados ensaios de compressão no Laboratório de Materiais de Construção da Universidade Federal de Ouro Preto, verificando se sua viabilidade mecânica.
O estudo envolveu ensaios de resistência à compressão e medida de força máxima aplicada aos corpos de prova. Os tijolos de rejeito se mostraram mecanicamente viáveis, apresentando uma resistência 4,9 vezes maior que tijolos convencionais. Com a utilização dos tijolos ecológicos se espera um grande benefício financeiro, proporcionando prolongamento da vida útil das lagoas de disposição, visto que os rejeitos podem ser coletados para aproveitamento, reduzindo o volume de massa nas lagoas, e resultando em ganhos financeiros pelo custo evitado em investimentos em novas lagoas. Os testes indicam oportunidades de aproveitamento também na fabricação de blocos de cimento, telhas e como base e revestimento de pavimentos.
Os rejeitos são consequência inevitável dos processos de tratamento a que são submetidos os minérios, sendo gerados, paralelamente, ao produto de interesse. A grande produção de rejeitos tem gerado uma preocupação cada vez maior nas empresas, que buscam minimizar os impactos ambientais e os custos associados aos processos de disposição e contenção deste material, por meio da implementação de sistemas de disposição adequados às necessidades ambientais e de segurança.
Ressalta-se que a realização de estudos para o aproveitamento desses rejeitos, apesar de não ser ainda uma prática comum das empresas, vem se mostrando, como uma alternativa promissora, dentro dos conceitos da sustentabilidade. Nesse intuito, estuda-se a possibilidade do uso deste rejeito na fabricação de tijolos, blocos de cimento, telhas e como base e revestimento de pavimentos.
Resistência mecânica 4,9 vezes maior quando comparada com tijolo convencional

Tendo em vista a importância das questões ambientais e do suprimento da demanda com relação ao consumo de recursos minerais, principalmente visando a contribuir com o desenvolvimento de soluções para geração de renda das comunidades das áreas de influência dos empreendimentos de mineração, o presente trabalho pretende contribuir com uma alternativa de uso do rejeito da mina de bauxita da Alcoa, Juruti (PA), na confecção de tijolos ecológicos, analisando-os suas resistências à compressão, fazendo um paralelo com os tijolos convencionais.
MATERIAIS
• Tijolo ecológico (rejeito da mina de bauxita + argila)
• Tijolo convencional
• Prensa hidráulica EMIC DL 20000
• Enxofre 180°C (estado líquido)
MÉTODOS
Inicialmente, ambos os tijolos foram submersos em água a fim de que os ensaios fossem executados em uma condição extrema de utilização, a de total saturação do tijolo. Em seguida, a parte do tijolo propensa à compressão recebeu uma camada de revestimento de enxofre líquido. Esta etapa é imprescindível ao teste tendo em vista que, este procedimento possibilita que a força aplicada pela prensa hidráulica atinja toda a área do tijolo e, assim, garante uma melhor distribuição das tensões.
Após os tijolos passarem pelas etapas de saturação e revestimento, ambos foram submetidos à terceira etapa do ensaio, o teste de compressão, utilizando-se uma prensa hidráulica EMIC DL 2000 pertencente ao laboratório de Materiais de Construção da Universidade Federal de Ouro Preto.
A análise do rejeito da mina da Alcoa de Juruti apresentou teores de alumina, sílica e ferro. Percebe-se que há uma maior presença de Fe2O3 (cerca de 25%), bem como uma presença de sílica (cerca de 23%) na
constituição química deste rejeito.
De acordo com os resultados obtidos através do ensaio de compressão e expostos no relatório de ensaio,
é possível observar que o CP 1 (tijolo convencional) apresentou uma resistência mecânica de 33,5 MPa e a força máxima aplicada foi de 6059 N, enquanto o CP 2 (tijolo ecológico) apresentou, nas mesmas condições
de ensaio, uma resistência incrivelmente maior, chegando a 162,6 MPa, cerca de 4,9 vezes maior que o CP
1. De maneira análoga, o tijolo ecológico resistiu a uma força máxima de 32074 N.
CONCLUSÃO
Segundo os testes desenvolvidos e a análise dos parâmetros relacionados ao comportamento mecânicodo tijolo ecológico por meio de ensaios de resistência à compressão, pôde-se observar que os resultados obtidos nesta produção se mostraram satisfatórios para tais dosagens de rejeito no agregado civil, que apresentou uma resistência mecânica 4,9 vezes maior quando comparado com os tijolos convencionais.
Tal estudo aponta para a viabilidade mecânica do emprego desse agregado miúdo artificial proveniente
da reciclagem de rejeito de mineração de bauxita da Alcoa na construção civil, contribui com o desenvolvimento de produtos de base tecnológica e minimização dos impactos das unidades geradoras desde rejeito, prolongando, ainda, a vida útil das lagoas de disposição da Alcoa com a extração contínua do rejeito para a confecção de tais produtos.
*Arthur Ferreira de Carvalho, da Universidade Federal de Ouro Preto; Antonio Maria Coutinho, engenheiro de minas e gerente de produção da Alcoa Juruti; Luiz Francisco Lemos Maia Junior, engenheiro de minas e meio ambiente da Alcoa Juruti; e Victor Lucas Bretas, engenheiro de minas e supervisor da área do Sistema de Captação e Disposição de Rejeitos da Alcoa Juruti.

3 comentários em “Tijolo de rejeito é cinco vezes mais resistente

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    • 12 de fevereiro de 2019 em 08:00
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      Bom dia, tem de se fazer uma análise prévia atestando a não presença de metais pesados e/ou outros contaminantes provenientes do beneficiamento do ferro, como reagentes, etc… que podem ser prejudiciais a saúde se a concentração dos mesmos for acima do permitido. Em todo caso, vale muito a pena analisar a possibilidade de empregar os rejeitos na geração de subprodutos.

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