Equipe engajada domina tecnologia da planta quimica

Vanádio de Maracás (VMSA), empresa do grupo canadense Largo Resources, superou uma etapa crítica em 2016. Sem dúvida nenhuma, tornou-se um caso clássico de “turnaround” onde a dedicação, a perseverança e a competência da sua equipe, através de uma gestão ativa em todas as áreas da empresa, foram fatores essenciais para que a empresa pudesse superar a fase mais crítica do ramp up do projeto.
 
Segundo Mark Smith, CEO da Largo Resources, este projeto tem 3 pilares bastantes sólidos: ótima reserva mineral com os maiores teores do mundo; domínio da tecnologia e, principalmente, as pessoas
certas.
 
A descoberta dos depósitos de magnetita vanadífera pela CBPM (Companhia Baiana de Pesquisa Mineral) ocorreu em 1980. Em 1984, a fim de desenvolver o projeto, uma empresa privada associou- se à CBPM, criando a Vanádio de Maracás (VMSA).
 
Em 1990 a Caemi, hoje incorporada pela Vale, se associou a uma empresa privada. Ao longo destes anos foram realizadas diversas pesquisas geológicas e estudos de beneficiamento mineral.
 
Contudo, coube à canadense Largo Resources, a partir de 2006, a ousadia de desenvolver um plano de negócio visando à implantação do projeto Vanádio de Maracás para produção de 9.600 t/ano.
 
Esta produção corresponde a 7% da produção mundial. Os investimentos foram de R$ 555 milhões e foi utilizada a tecnologia da África do Sul, onde existe uma indústria de produção de vanádio consolidada há mais de 25 anos em depósitos similares. Trata-se da única mineração de vanádio nas Américas e emprega 650 pessoas (empregos diretos entre próprios e terceirizados).
 
As obras foram iniciadas em 2012 e em maio de 2014 a planta foi inaugurada. O primeiro embarque de flake de pentóxido de vanádio ocorreu em setembro de 2014. Paralelamente, a Vanádio de Maracás complementou a pesquisa mineral cubando uma reserva de 18,4 milhões de t de minério de vanádio com teor médio de 0,98% V2O5 apenas na cava Campbell, atualmente em lavra. Esta reserva é suficiente para os próximos 14 anos de produção. Outros depósitos vizinhos estão sendo cubados para dar longevidade a operação da empresa.
 
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O PROJETO

 
A unidade produtiva é na verdade um complexo industrial que vai muito além das atividades de mina e beneficiamento mineral, compreendendo também processos piro-metalúrgicos, químicos e metalúrgicos.
 
O beneficiamento mineral consiste em britagem, moagem, concentração magnética e filtragem – obtendo um concentrado magnético (magnetita) rico em V2O5 com teor médio de 3,4%. Paulo Misk, presidente da Vanádio de Maracás, destaca que “além de termos o minério com o teor maior do mundo, o que nos dá vantagens competitivas nos custos de mina, nosso concentrado magnético tem quase o dobro em teor de V2O5 se comparado às minas similares da África do Sul, nos proporciona uma redução dos custos nas etapas de piro-metalurgia e processamento químico, que são responsáveis por cerca de 75% dos custos totais de produção”.O concentrado magnético, após adição de carbonato de sódio, é processado em forno rotativo de 90 m a uma temperatura de 1.100°C. Nesta etapa, a magnetita é oxidada liberando o vanádio, que reage com o sódio formando o vanadato de sódio. Este material calcinado é então enviado ainda quente para a planta de lixiviação, dando origem a uma solução com vanádio (a parte líquida) e um subproduto, o minério de ferro (a parte sólida).
 
A solução de vanádio segue para a planta química onde ocorre remoção da sílica e a precipitação do vanádio sob a forma de meta vanadato de amônio – MVA. Este material é filtrado, secado e alimentado em fornos rotativos para remoção de amônia, se transformando em pentóxido de vanádio – V2O5. A etapa final ocorre nos fornos de fusão onde é produzido o flake de V2O5. O produto final é embalado em big bags ou tambores e exportado em containers.
 
Através de um contrato off take em vigor, toda a produção é vendidapara a Glencore.
 
A principal aplicação do vanádio é melhorar as propriedades do aço, principalmente sua resistência física. A adição de apenas 1 kg de vanádio em 1 t de aço aumenta a resistência do aço em até 30%.
 
Por este motivo, o vanádio é considerado um “metal verde”, uma vez que sua utilização reduz o peso dos veículos e como resultado, contribui para considerável economia no consumo de combustível.
 
As estruturas de aço podem ser até 30% mais leves, reduzindo na mesma proporção a necessidade da produção mundial de aço e, consequentemente, reduzindo em 30% todo impacto ambiental provocado pela cadeia produtiva do aço (minas de ferro e carvão, siderurgia, transporte…).
 
O flake V2O5 produzido pela Vanádio de Maracás tem a melhor qualidade do mundo (99,5% V2O5) entre os produtores primários de vanádio e, por isto, atende também às rigorosas especificações da indústria aeroespacial e da indústria química. A empresa está em processo de certificação nestes dois mercados.
 
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RAMP UP

 
A Vanádio de Maracás tinha como desafio absorver a tecnologia de produção, formar equipe de produção e de processo, implementar as atividades administrativas, criar uma cultura de segurança e atingir a capacidade de produção da planta (800 t/mês). Desafio este qu foi potencializado devido à complexidade do processo, à juventude da empresa constituída exclusivamente para este projeto e à inexperiência
da equipe recém-formada. No início, houve a contribuição de vários técnicos sul-africanos, que ficaram até o final de 2015.
 
Uma equipe técnica de uma empresa sul-africana produtora de vanádio, cuja capacidade de produção é a mesma da VMSA, emitiu um relatório prevendo que o projeto Vanádio de Maracás teria capacidade de produção de apenas 510 t/mês, considerando as limitações dos equipamentos instalados. A título de exemplo, o período de ramp up desta operação na África do Sul tinha sido de 4 anos.
 
Apesar de todo esforço da equipe, a produção máxima alcançada em 2015 foi de apenas 680 t em setembro.
Havia diversos proble
mas relacionados ao projeto e a alguns equipamentos. Para agravar a situação, o preço do vanádio caiu 52%em 2015 atingindo o valor de US$ 2,38/lb em dezembro. Este preço era apenas 38% do preço considerado nos estudos de viabilidade (US$6,20/lb). A situação da empresa era crítica tanto do ponto de vista de produção quanto do ponto de vista financeiro. E não se via luz no fim do túnel.
 
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2016 – O ANO DA VIRADA

 
No ano de 2016 a companhia reorganizou a sua estrutura de capitais e reescalonou o seu endividamento, de forma a garantir a sustentabilidade do empreendimento que enfrentou períodos de preços extremamente baixos e estava concluindo sua curva de ramp up no ano de 2016.
 
Neste processo para garantia de capital de giro suficientes, a companhia levantou US$ 30 milhões em capital próprio no mercado de ações de Toronto, bem como reescalonou a dívida vencível nos anos de 2016 e 2017, em montante equivalente a aproximadamente R$ 300 milhões, que foi refinanciada em um período compatível com a nova curva de geração de caixa da companhia, sendo refinanciada com 2 anos de carência e mais 5 anos de prazo de pagamentos.
 
Esta reorganização da estrutura de capitais da companhia permitiu que a mesma tivesse acesso a capital de giro necessário para operar neste período.
 
A gestão da empresa identificou os principais problemas relacionados a pessoas/gestão, a processos/tecnologia e eficiência/ disponibilidade dos equipamentos. As ações implementadas foram focadas para resolver estes problemas.
 
O resultado destas ações mostra mudança significativa da performance de produção.
 
O impacto das ações relacionadas ao processo e à estabilidade da operação melhorou a recuperação em 62% desde o início do ano de 2016, o que contribui significativamente para reduzir o custo unitário e aumentar a produção.
 
O controle de custos variáveis, baseada na otimização dos consumos específicos, passou a ser sistemático e de responsabilidade do gestor que gasta o insumo. Além disso, houve renegociação de vários contratos, incluindo das principais matérias primas, como o sulfato de amônia, cuja mudança da especificação representou uma redução no preço de 32%.
 
O resultado combinado de todas estas melhorias refletiu no Ebitda, que ficou positivo nos quatro últimos meses de 2016 e superou a meta de dezembro em 127%.

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