Galvani prevê início de operação da unidade de mineração em Irecê (BA) em 2027

Galvani prevê início de operação da unidade de mineração em Irecê (BA) em 2027

O Projeto Minério Primário de Irecê é uma retomada e um novo marco da Galvani Fertilizantes no Nordeste. O projeto, localizado no município de Irecê no semiárido baiano, visa a reiniciar uma operação de minério a base de fosfato na região do centro-oeste da Bahia.

Christiano Brandão, Gerente Corporativo de Licenciamento, Meio Ambiente, Direitos Minerários e Gestão Fundiária da Galvani, que apresentou detalhes do projeto durante o Workshop Opex 2026, realizado pela revista Minérios & Minerales em junho, em Belo Horizonte (MG), disse que a unidade de mineração se encontra com obras adiantadas.

O empreendimento está em fase de implantação com mais de 60% da engenharia concluída. De acordo com Christiano, o desafio da fase de construção tem sido superar as adversidades logísticas, que são o transporte dos equipamentos importados que chegam por terminais portuários marítimos e são levados depois até a planta no interior da Bahia – a distância rodoviária do Porto de Salvador até Irecê, por exemplo, é de quase 500 quilômetros em estradas de difícil tráfego.

“Mas a gente imagina até o final do ano estar com esse projeto totalmente implantado, para o início da operação no início do ano que vem”, disse o gerente em entrevista à revista Minérios.

A nova unidade terá produção de concentrado fosfático e corretivo agrícola. Com investimentos de mais de R$ 500 milhões, o projeto possuirá processo inédito de calcinação na produção de concentrado fosfático e não terá barragem de rejeito.

A capacidade de produção da nova planta é de até 350 mil t/ano de concentrado fosfático e até 600 mil t/ano de corretivo agrícola rico em cálcio, magnésio e fósforo.

“O projeto vem como uma nova tecnologia, que consegue eliminar um processo de concentração de minério de uma via úmida para uma via seca. Isso representa eliminar barragem de rejeito e trabalhar com um projeto em uma região de forma mais sustentável”, explica Christiano Brandão.

A nova tecnologia em questão – a primeira desse tipo no país – é a produção de fertilizantes por calcinação a seco a base de minério fosfatado, método que dispensa o uso de água no beneficiamento.

O calcinador, com capacidade nominal de processar 1,25 milhão de toneladas anuais de fosfato e principal elemento da unidade de beneficiamento, chegou na planta em meados do ano passado, proveniente da China. Ele foi adquirido da Metso.

Só este equipamento está avaliado em R$ 160 milhões. A logístico de transporte custou mais de R$ 20 milhões, com a estrutura dividida em 14 veículos especiais.

Montado, o calcinador tem cerca de 140 metros de comprimento e quase seis metros de diâmetro.

O gerente detalha que o projeto prevê o aproveitamento total de rejeitos gerados no processo para se tornarem subprodutos de fertilizantes agrícolas.

O projeto tem como objetivo alimentar o Complexo Industrial Luís Eduardo Magalhães, no município baiano de mesmo nome, da Galvani. A companhia tem foco no mercado do Norte-Nordeste do Brasil, e os fertilizantes produzidos pela empresa atendem a região do Matopiba, considerado a última fronteira agrícola do país localizada na confluência dos estados do M aranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.

O empreendimento de Irecê, desenvolvido junto com a Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM), é a segunda unidade de mineração da Galvani na Bahia – a outra fica no distrito de Angico dos Dias, no município de Campo Alegre de Lourdes, também localizado no semiárido baiano.

A Fagundes Construção e Mineração tem contrato para a prestação dos serviços de perfuração e operação da mina do Projeto Minério Primário de Irecê.