Brazil Potash arrecada US$ 63,3 mi para seu projeto de potássio na Amazônia

Brazil Potash arrecada US$ 63,3 mi para seu projeto de potássio na Amazônia

A canadense Brazil Potash avança com seu projeto Autazes de exploração de potássio. A empresa anunciou que conseguiu atrair US$ 63,3 milhões de investidores estrangeiros, segundo o jornal Valor Econômico.

O projeto fica localizado no interior do Amazonas e é considerado essencial para diminuir a dependência do agronegócio do produto importado. O potássio é um dos principais componentes para fabricação de fertilizantes agrícola, e as tensões geopolíticas têm pressionado o Brasil por uma solução para diminuir a dependência do mercado internacional de fertilizantes.

Atualmente, cerca de 80% da oferta mundial de potássio está concentrada entre o Canadá, Rússia e Belarus, regiões hoje com fortes tensões geopolíticas. Apesar do Brasil ser um dos líderes globais no agronegócio, importa aproximadamente 85% do insumo que consome de potássio. 

Os cálculos da Brazil Potash é de que o projeto Autazes é capaz de atender até 20% da demanda nacional do produto, com custo mais baixos devido a facilidade de logística para o Centro-Oeste, polo consumidor do potássio. A empresa cita queda em 71% no preço de transporte em relação ao produto importado.

O projeto se localiza às margens do Rio Madeira, no município de Autazes, próxima à rota fluvial da Amazônia à região Centro-Oeste, permitindo o transporte do insumo por balsas. 

A produção projetada do projeto é de 2,4 milhões de toneladas de potássio por ano.

No jornal Valor, o CEO da Brazil Potash, Matt Simpson, defendeu a exploração mineral como uma questão de segurança estratégica para o País. A empresa tem planejado iniciar neste ano obras estruturais do empreendimento em Autazes. 

Os custos iniciais chegam a US$ 400 milhões e, por isso, a empresa busca novas fontes de financiamento. O Projeto Autazes já recebeu um investimento de US$ 270 milhões em exploração, estudos técnicos, aquisição de terras, audiências públicas e consultas com comunidades indígenas. O capex total do projeto alcança US$ 2,5 bilhões.

Os recursos recém-capturados, de acordo com informações de mercado, serão utilizados na abertura da lavra, construção da planta de processamento, instalação de um porto no Rio Madeira e ampliação da estrada de ligação até a planta. A mina teria inicialmente cerca de 23 anos de vida útil.

A reserva está localizada a aproximadamente 800 metros de profundidade e a exploração subterrânea é considerada de menor impacto ambiental em comparação à mineração a céu aberto. Ainda assim, a empresa deve enfrentar resistência local para iniciar as obras devido às proximidades com comunidades indígenas da região e áreas de proteção ambiental.