Vale prevê esgotamento da mina de manganês Azul em 2025 e amplia vida útil do minério de ferro de Carajás
Enquanto a mina de manganês em Parauapebas tem previsão de exaustão em 2025, novas estimativas de reservas minerais estendem a lavra de minério de ferro no município até 2047.
A Vale prevê o esgotamento das reservas de manganês da Mina do Azul, em Parauapebas (PA), em 2025, cerca de quatro décadas após o início de suas operações. A informação consta de documentos apresentados pela mineradora às autoridades do mercado financeiro dos Estados Unidos.
Ao mesmo tempo, a empresa ampliou em cinco anos a estimativa de vida útil das reservas de minério de ferro de Parauapebas, passando de 2042 para 2047, após incorporar novas informações e estimativas geológicas ao cálculo de suas reservas.
Leia também: Vale investirá R$ 70 bilhões no Programa Novo Carajás até 2030
Os dados foram levantados pelo Blog do Zé Dudu a partir de informações divulgadas pela Vale.
Mina do Azul tem previsão de exaustão das reservas de manganês em 2025
Localizada na Serra Norte de Carajás, a Mina do Azul é uma das principais operações históricas de manganês da Vale no Pará.
Segundo informações declaradas pela mineradora no Formulário 20-F, apresentado às autoridades financeiras dos Estados Unidos, as reservas de manganês da unidade passaram de 14,7 milhões de toneladas em 2018 para 13,1 milhões de toneladas em 2019.
A produção obtida após beneficiamento e recuperação no último ano analisado foi de aproximadamente 1 milhão de toneladas.
A redução das reservas ocorre em um cenário de mudança na participação dos municípios paraenses na produção de manganês.
Parauapebas, historicamente o maior produtor do mineral no país, perdeu essa posição para Marabá em 2017, segundo levantamento do Blog do Zé Dudu.
Em 2019, a produção da Mina do Azul movimentou R$ 403,42 milhões, enquanto a Mina da Buritirama, em Marabá, registrou R$ 575,65 milhões.
Mina de cobre Sossego também tem previsão de encerramento da lavra
Outra operação da Vale com previsão de esgotamento de reservas é a Mina do Sossego, localizada em Canaã dos Carajás (PA).
De acordo com as estimativas divulgadas pela empresa, a lavra de cobre na unidade deverá se encerrar em 2028.
A reserva de minério de cobre do Sossego é estimada em 109,3 milhões de toneladas, com teor médio de cobre de 0,67%.
O volume é significativamente inferior ao da Mina do Salobo, em Marabá, onde a Vale estima reservas de 1,148 bilhão de toneladas de minério, com teor médio de cobre de 0,6%.
Para Salobo, a previsão de exaustão apresentada pela mineradora é de 2052.
Reservas de minério de ferro de Carajás têm vida útil ampliada até 2047
O minério de ferro, principal produto da Vale, é extraído em diferentes operações do complexo mineral de Carajás, no Pará.
A região concentra reservas distribuídas principalmente entre três áreas: Serra Norte, em Parauapebas; Serra Sul, em Canaã dos Carajás; e Serra Leste, em Curionópolis.
Entre essas áreas, Canaã dos Carajás apresenta o maior volume de reservas de minério de ferro mencionado no levantamento, com 4,2 bilhões de toneladas apenas nos blocos C e D do corpo mineral S11.
Leia também: Simandou: Rio Tinto inicia exploração no maior depósito de ferro do mundo
Em Parauapebas, a produção de minério de ferro totalizou 113,5 milhões de toneladas em 2019, o menor volume desde 2013, quando foram produzidos 104,89 milhões de toneladas, conforme apuração do Blog do Zé Dudu.
Apesar da redução na produção, a Vale ampliou a estimativa de vida útil das reservas de minério de ferro do município.
Leia também: Rio Tinto anuncia US$ 3,1 bilhões para ampliar produção de minério de ferro em Pilbara
Na projeção anterior, realizada em 2018, a lavra estava prevista até 2042. Com a atualização das reservas, o prazo foi estendido para 2047.
Reservas de minério de ferro aumentam 800 milhões de toneladas
Entre 2018 e 2019, as reservas de minério de ferro de Parauapebas passaram de 2,02 bilhões para 2,82 bilhões de toneladas, um acréscimo de aproximadamente 800 milhões de toneladas.
Segundo a Vale, a variação considera tanto o abatimento das reservas em decorrência da produção quanto a incorporação de novas informações geológicas.
A mineradora explica que “as variações nas reservas de minério de ferro de 2018 a 2019 refletem o abatimento resultante da produção para todas as minas”.
A empresa acrescenta que essas reservas “foram afetadas positivamente por novas informações e estimativas geológicas”.
A atualização das estimativas amplia o horizonte de exploração do minério de ferro em Parauapebas, enquanto as projeções para as minas de manganês Azul e de cobre Sossego apontam para o esgotamento de suas reservas em prazos mais próximos.
Fonte: Blog do Zé Dudu, com base em informações divulgadas pela Vale no Formulário 20-F.
