Sinais de recuperação modesta à vista

Altas recentes de preço mostram que uma retomada moderada pode estar próxima no mercado global de commodities minerais — onde a China ainda reina

Quando o preço da tonelada de minério de ferro ultrapassou US$ 80 em fins de novembro no porto de Qingdao, na China, a melhor cotação em 26 meses, era possível sentir no ar uma sensação de alívio na indústria global de mineração, mesmo que os analistas apostem em altas pontuais, manutenção dos níveis atuais de preços ou até uma ligeira queda em direção ao horizonte de 2020.
O carvão de coque também subiu cerca de 300%, mas com preço relativo de se sustentar, devido a restrições do governo chinês para não expandir a produção local.
Entretanto, as altas recentes foram suficientes para que a Anglo American reavaliasse seu programa de vendas de ativos — a não ser que apareçam ofertas com valoração adequada e
sem pressa. Essa mudança de posição ficou clara quando ela encerrou as negociações sobre a venda de duas minas de carvão de coque na Austrália, por cerca de US$ 2 bilhões, para um consórcio de investidores. Em abril passado, a Anglo American vendeu suas operações de nióbio e fosfato no Brasil por US$ 1,5 bilhão —quase a metade da meta de redução de dívida do
grupo para este ano.
Para as mineradoras brasileiras voltadas ao mercado doméstico, as expectativas se concentram no início do novo ciclo deconcessões federais — começando pelos aeroportos de Salvador
(BA), Fortaleza (CE), Florianópolis (SC) e Porto Alegre (RS), que têm atraído o interesse de players globais, além de duas rodovias. O governo federal ainda pode prorrogar as concessões rodoviárias que estão para vencer, que têm projetadas obras extra-contrato no valor de alguns bilhões, que podem ser iniciadas de imediato. São Paulo também retomou seu programa de concessões rodoviárias, que teria de se estender às obras do metrô que sofrem de atrasos recorrentes. O Espírito Santo licitou uma concessão para ampliar o saneamento em Vila Velha.
A reativação de projetos de infraestrutura ainda é o caminho mais curto para aquecer a economia brasileira e tirá-la da recessão. E o capital privado é absolutamente necessário
em vista do estado comatoso das finanças federais e estaduais. Ao ser mobilizada por novas obras, a cadeia de produção dos equipamentos e materiais de construção reaquecerá a demanda por minerais e metais, cimento e agregados.

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