Projetos dão melhoria operacional e de produtividade à unidade industrial da Nexa Resources

A Nexa Resources desenvolveu dois projetos na unidade metalúrgica de zinco de Três Marias (MG), que proporcionaram melhoria operacional e de produtividade à empresa. Um foi a implantação de uma caldeira de biomassa para geração de vapor, importante insumo da planta; outro se relaciona à aumento de produtividade nas linhas de jumbo.
Em 2014 foi elaborado um estudo de oportunidades de energia na planta. Desse trabalho, identificou-se uma que previa a substituição dos combustíveis usados por alternativos, notadamente na geração de vapor.

O engenheiro Diogo Marcilio Alves da Silva, gestor de energia da Nexa em Três Marias, explica que a planta usa grande quantidade de energia térmica, sendo a etapa de processo realizada na autoclave como o de maior consumo (80% do vapor produzido para atender a unidade).

Assim, foi desenvolvido esse projeto de flexibilização de energia. A opção da empresa foi realizar parceria com um terceiro na geração de energia por biomassa em caldeira. A empresa escolhida foi a Combio, fundada em 2008 e com experiência em implantação de projetos desse tipo em outras plantas industriais.

Então, deu-se a realização do projeto na prática, sendo colocado em funcionamento no ano passado em uma área dentro do próprio complexo da Nexa em Três Marias – área cedida em regime de comodato

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Planta Industrial da Nexa Resources em Três Marias (MG)

De acordo com a Nexa, o modelo adotado de terceirização dessa atividade foi apoiado no fato de o negócio ser muito específico – a terceirização evitaria a imobilização de capital e, ao mesmo tempo, oferecia custos mais competitivos.

A planta de biomassa é alimentada por madeira de eucalipto, proveniente de floresta manejada e certificada – não muito distante da unidade industrial.

Na própria unidade florestal é realizado pela Combio o processo de trituração da madeira para adequar o produto à necessidade da caldeira, num volume de 6.000 t/mês. A madeira triturada é então transportada à planta da Nexa.

A unidade de vapor tem a capacidade de armazenamento de 300 m³ de biomassa em área coberta e de aproximadamente 4.000 m³ na área externa. O estoque é suficiente para operação à capacidade máxima da caldeira durante pelo menos quatro dias.

A Combio é responsável pela operação e manutenção do sistema. A biomassa chega até a fornalha da caldeira através de um sistema de alimentação composto por moega de recebimento, detector de metais e peneira classificatória.

O vapor gerado segue por tubulação de 10” até ser entregue no coletor, com produção máxima de 40 t/h – 23 bar. Porém, a produção da planta hoje é de 30 a 34 t/hora. O gestor de energia da Nexa explica que toda a planta em Três Marias consome 53 t/h de vapor.

Antes, na autoclave, existiam duas caldeiras a diesel para atendê-la. Ela consumia cerca de 15 t/h de óleo, gerando 33 mil t de gás carbônico por ano – equivalente a 20% de toda emissão da planta.

Agora, as duas caldeiras a óleo foram desativadas com o projeto – elas são acionadas quando necessário, como a manutenção da caldeira de biomassa. Isso representou redução de custo de R$ 12 milhões ao ano, segundo a Nexa.

O mesmo conceito será replicado para as demais unidades, prevendo a terceirização da produção de calor com empresas especializadas em energia. Em Juiz de Fora (MG), onde existe outra planta da Nexa, já há estudos para substituir também o gás natural por biomassa.

LINHAS DE JUMBO

A partir de uma demanda da área comercial do grupo controlador da Nexa Resources, a Votorantim, foi implementado projeto de aumento de produtividade nas linhas de jumbo da unidade industrial de Três Marias. A equipe de Desenvolvimento de Mercado identificou que alguns dos clientes da empresa estavam migrando para a compra dos produtos no formato de jumbos (de 1 a 2 t), abandonando o formato tradicional de barras.

Com isso, o engenheiro Marcos Ávila, coordenador de produção da unidade, explica que foi identificado e executado melhorias que aumenta a capacidade das linhas de jumbo. O objetivo foi elevar a produção das linhas de Jumbo em 10%, garantindo mais competitividade no mercado de zinco.

A produção média das linhas de jumbo era de 227 t/dia, medida entre janeiro de 2017 a fevereiro de 2018. A meta inicial foi chegar a 250 t/dia. Dessa forma, foi mapeada 65 oportunidades de melhorias. Para implantação do projeto, adotou-se a metodologia Kaisen de melhoria contínua e ganho rápido.

O projeto buscou unir a multidisciplinaridade dos profissionais da companhia em Três Marias para melhorar a produção nas linhas de Jumbo. Após a classificação do impacto nas 65 oportunidades selecionadas, chegou-se a uma lista de 25 soluções para serem implementadas. Dentre as ações mapeadas, incluíam alteração dos padrões de especificação dos pesos dos lingotes; limpezas internas nos fornos para aumentar o volume útil; alteração do padrão de abastecimento dos fornos; alteração das rotas de inspeção da manutenção; e mudanças dos planos das preventivas dos equipamentos.

O coordenador conta que foi feita a priorização de oportunidades para serem implementadas. O plano de ação foi adotado em duas semanas, em fevereiro de 2018. Como resultado, houve aumento do peso dos produtos da linha de jumbos, alcançando 283 t/dia, ficando acima da meta de 250 t/dia. Isso significou 25% de aumento da produção.

As conclusões indicam que a metodologia Kaizen foi eficaz e replicável à maioria dos projetos de melhoria da empresa. Assim, segundo Marcos Ávila, os próximos passos será a replicação da metodologia Kaizen para as demais linhas de produção e para outras unidades da Nexa. “A participação da operação e da manutenção, pensando conjuntamente como melhorar o dia a dia da produção, foi fundamental para alcançar tais resultados”, afirma o engenheiro.

Segundo ainda Marcos, a iniciativa ressalta que pequenos projetos podem trazer grandes resultados para a empresa. “Mais do que o impacto em termos de ganho na produção para a companhia, o projeto Kaizen revela ganhos na integração e engajamento dos empregados, deixando-os motivados e mais analíticos para a busca da melhoria contínua”, afirma.

APOSTA EM MELHORIAS

O gerente-geral da planta, Warley José Gomes Pereira, aposta nas melhorias de processos para ganho de produtividade e redução de custos. Ele tem incentivado os especialistas da companhia para produção de projetos, como estes apresentados anteriormente.

Ele conta que há mais de uma dezena de projetos de melhoria feitos ano passado pelos colaboradores. Os projetos nascem a partir de ocorrências detectadas no dia a dia.

A Nexa Resources é a união da Votorantim Metais, e da Milpo, no Peru, com atuação na mineração de zinco, cobre, chumbo e outros. A empresa faz parte do grupo Votorantim.

A companhia possui operação de mineração no Peru, com sete minas, Morro Agudo (município de Paracatu), com duas minas, e Vazante, ambas em Minas Gerais. São três plantas metelúrgicas Cajamarquilla (Peru), Três Marias e Juiz de Fora (MG).

A unidade de Três Marias foi fundada em 1969. Trata-se de uma planta metalúrgica com tecnologia para tratamento integrado de concentrados com qualidade química distintas (silicatado e sulfetado).

Das duas minas de Morro Agudo provém o zinco silicatado (72% do minério processado na planta). Já de Vazante, o zinco sulfetado (11% do minério processado na planta) – as minas do Peru são também de sulfetado e de 17% da produção de lá vem para a planta de Três Marias.

Nesta metalúrgica faz-se lingotes de zinco, ligas especiais e óxido de zinco. Em 2017, produziu-se 191,9 t de produto.

O investimento na planta ano passado atingiu R$ 117 milhões.

Nos últimos sete anos a unidade industrial fez investimentos socioambientais na região de R$ 9 milhões. O objeto das iniciativas é contribuir com o desenvolvimento local de Três Marias e do município vizinho de São Gonçalo do Abaeté, com foco no apoio à gestão pública, educação e geração de trabalho e renda.

 

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