Produção de concentrado de cobre e ouro segue até 2029 em Alto Horizonte (GO)

Cavas de Chapada têm área total de pit de 423 ha, medindo o atual 293 ha

Descoberta em 1973, mina Chapada entrou em produção em tempo recorde – dois anos

Por Vinícius Costa

Localizada no município de Alto Horizonte (GO), a 270 km ao noroeste de Brasília, a mina Chapada, da Mineração Maracá Indústria e Comércio (MMIC), empresa da Yamana, foi o primeiro grande empreendimento implantado pela companhia no Brasil e instalado em tempo recorde (início em fevereiro de 2005 e o primeiro embarque de concentrado de cobre em produção comercial em fevereiro de 2007).

Descoberto em 1973 pela Mineração Serras do Sul – Minerasul (empresa subsidiária da Inco) por meio de uma campanha regional de geoquímica de sedimentos de corrente, o depósito de Cu-Au de Chapada foi pesquisado e sondado até 1996, passando pelas empresas Inco, Eluma, Santa Elina e Echo Bay, as quais perfuraram 856 furos, num total de 67.314 m de sondagem. Em 2000, o depósito passou para a MMIC, que iniciou as atividades de abertura da mina e construção da planta.

A unidade foi responsável por contribuir de maneira decisiva para consolidação da Yamana em território nacional, pois apresenta boa performance de produção e gestão de custos, tornando-o competitivo quando comparado aos projetos similares pelo mundo, sendo Chapada responsável por uma grande parcela do faturamento bruto da empresa.

Inserido na porção noroeste do estado de Goiás, entre os municípios de Nova Iguaçu de Goiás e Alto Horizonte, a mina tem acesso principal, a partir de Goiânia, feito pela rodovia BR-153 até Campinorte (312 km), por onde se alcança as cidades de Nova Iguaçu de Goiás e Alto Horizonte pela rodovia GO-428. Concebida originalmente para uma escala de 12 milhões t de alimentação da planta, já em seu início de operação, Chapada conseguiu a marca de 16 milhões t, ou seja, superou as metas traçadas e hoje opera a 22 milhões t/ano.

Carlos Eduardo Paraizo, gerente-geral da mina Chapada

Prevista para operar por mais 18 anos, Chapada espera produzir em 2014 cerca de 247.000 DMT de concentrado de cobre e ouro na unidade que emprega 516 funcionários próprios e 810 terceirizados. Visando manter operacionalidade ótima da mina, somente em 2013, a mineradora investiu R$ 98.700.313. Já para o ano de 2014, o montante indicado pela gerência da unidade é superior aos R$ 108 milhões.

Com 3.000 ha, Chapada vem se atualizando com implementações automatizadas de controle da mina e da planta e aquisição de equipamentos novos para dar suporte à operação. Como exemplo disso, em 2013 foram adquiridos seis caminhões de frota de estrada Cat 777G, além de escavadeiras e outros equipamentos auxiliares.

Somado a isso, para a planta, a mineradora adquiriu sistema de controle avançado do moinho de bolas (APC); sensor virtual de granulometria; Manufacturing Execution System (MES); e atualmente implanta um sistema de controle avançado para flotação. Para agilizar na tomada de ações, a empresa contará em 2014 com uma sala de controle unificada e remota. Ela tem o objetivo de integrar as equipes de mina e planta e melhorar as respostas e o entendimento dos problemas operacionais.

Dentre as implementações já realizadas, é possível destacar o investimento feito em correntes para os pneus dos equipamentos de lavra como um dos destaques devido ao sucesso na aplicação, que reduziu o número de acidentes e aumentou a produtividade na lavra.

Segundo o gerente-geral, Carlos Eduardo Paraizo, na época chuvosa, a utilização dos caminhões era reduzida consideravelmente devido à falta de condição de trafegabilidade dos acessos ocasionada pela perda de tração dos pneus. A manutenção constante dos acessos não era suficiente para manter o tráfego na mina devido à forte incidência de chuva aliada com a baixa competência das litologias disponíveis na mina para serem utilizadas como base, sub-base e forração dos acessos.

Dessa forma, buscou-se uma solução adicional para manter a produção nas épocas mais chuvosas e, por meio de uma parceria entre a mina Chapada e um fabricante de correntes, foi realizado um teste e verificada a viabilidade, sendo assim aplicadas correntes em todos os caminhões. O resultado final foi satisfatório com incremento de produção, produtividade e utilização da frota de caminhões fora de estrada com correntes, além do aumento da vida útil dos pneus traseiros devido à redução de perdas, como incidência de cortes e danos na banda de rodagem e lateral do pneu. Houve ainda redução de acidentes, devido ao menor risco do caminhão perder a tração e o controle, principalmente em declives.

No período de teste das correntes, houve um incremento de 5% na produtividade da frota Cat 785, mesmo com DMT (Distância Média de Transporte) superior ao período chuvoso sem uso de correntes. Houve aumento de produção de 12,1 % e de receitasde 5% no período de testes.

A empresa já utiliza as correntes em seus pneus há três anos e, segundo o gerente, conseguiram aperfeiçoar o sistema. “O primeiro ano foi muito bom, já o segundo nem tanto, mas em 2013 contratamos uma empresa para fazer a calibragem dos pneus e aperto das correntes, o que melhorou odesempenho. Para 2014, serão três turnos de aperto de correntes”, explica.

Ainda, segundo o gerente, a empresa não se prende ao preço de uma melhoria, mas sim ao resultado final e benefícios que ela irá gerar. “Recentemente, por exemplo, com o sistema de automação, reduzimos os gastos com alguns insumos, como bolas de moinhos e materiais de desgaste. Outra medida, como a troca do uso de cal hidratado para a cal virgem, reduziu os custos em R$ 3,5 milhões”.

A empresa, visando evitar quebras e manter a integridade dos seus equipamentos de transporte, é responsável por um programa de valorização ao caminhão. Nele, cada operador dirige sempre o mesmo veículo por turno, ou seja, cada equipamento é dividido sempre e apenas por aqueles três funcionários. A cada três meses, há uma premiação concedida ao trio que durante o trimestre acumulou mais pontos em eficiência e cuidados com o veículo.

Para o corpo de funcionários, a Mineração Marac&aac
ute; Indústria e Comércio mantém treinamentos no Senai, em Alto Horizonte (GO), e para todo novo equipamento a mineradora se preocupa em adquiri-lo com o pacote de treinamento e reciclagem, sendo que cada funcionário precisa de no mínimo 60 dias de aulas até poder operar sozinho. A Yamana mantém também um programa de incentivo à educação que custeia até 60% de do curso de especialização que o funcionário pretende fazer, como MBA, por exemplo.

Visando manter a operação até 2029, está prevista para abril uma expansão com a abertura e desenvolvimento do Corpo Sul. Essa cava operará com um britador giratórioin pit crushingda ThyssenKrupp em uma posição intermediária entre o corpo atual e a cava sul, com 1,7 km de correia. A utilização doin pit crushingabsorverá parte da lavra do corpo atual e toda do corpo sul e deverá ser um dos destaques de redução de custos em 2014, pois se não fosse ela, seriam necessários ao longo do tempo de seis a oito caminhões operando. O sistema de britagem reduzirá as emissões de CO2e, além de tudo, irá aumentar a produtividade da frota, pois além de menor DMT, haverá redução de tráfego de caminhões carregados em rampas ascendentes. Com isso, será possível reduzir o consumo específico de diesel (l/t) e materiais de desgaste da frota.

Em relação às dificuldades enfrentadas pela operação, a mineradora explica que as inconstâncias na rede elétrica na região obrigam a MMIC a manter geradores sempre disponíveis para que as células de flotação não deixem de funcionar. Contudo, quando há uma falha na energia, sempre há a chance de se perder a configuração da planta, obrigando que se faça obackupda planta.

Caminhões operam 24 horas e são equipados com correntes nos pneus para trafegar no período de chuvas

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