Problemas nas caçambas criam gargalo na produção da máquina

As caçambas representam 34 % dos gastos com reforma dos principais componentes da frota de lavra

Os materiais de desgaste, quando utilizados de forma planejada, oferecem um melhor aproveitamento e, consequentemente, redução no gasto com manutenção. Equilibrar o desgaste das partes que compõem uma caçamba, medindo e acompanhando sua evolução, apresenta-se como boa medida de se reduzir custos e melhorar a vida útil do componente.
Everson Adir Passos, Engenheiro de Manutenção Equipamentos de Mina

O problema encontrado pela Diretoria de Ferrosos Sul, da Vale, foi o de pouca previsibilidade de vida útil de caçambas das retroescavadeiras utilizadas em suas minas de minério de ferro, um elevado tempo de reforma (TAT: Turnaround Time) e um alto custo de manutenção.

Portanto, o objetivo do trabalho “Manutenção de caçambas de retroescavadeiras com base em performance”, apresentado no VI Workshop de Redução de Custos na Mina e na Planta, foi identificar quais as perdas e principais pontos de dificuldade para manutenção de caçambas e propor melhorias buscando melhor desempenho desse componente sem danos ao equipamento.

Caçambas destinadas para reforma danificadas e com desgaste

O trabalho foi desenvolvido por Everson Adir Passos, Engenheiro de Manutenção Equipamentos de Mina; Gil Prado de Souza, Engenheiro de Manutenção de equipamentos de mina; Miguel Cesar Souza de Assis, Engenheiro de Manutenção de Equipamentos de Mina; e Antonio Alves Sacramento Filho, Técnico especializado em manutenção.

O estudo foi iniciado observando os cinco maiores gastos com reforma dos principais componentes de todos os modelos de equipamento de mineração da diretoria. As caçambas apresentaram 34 % destes gastos, sendo as equipadas nas retroescavadeiras responsáveis por 64 % do gasto total. Em sequência, foi realizado estudo empírico das condições das caçambas de retroescavadeiras enviadas para reforma, seguido pelo entendimento de como são construídas e como se desgastam no processo de mineração.

Nas observações, percebeu-se que elas apresentavam desgaste acentuado na parte inferior do bojo, antes mesmo da deterioração dos demais materiais de revestimento. Como ação, a equipe de manutenção optava por utilizar retalhos de chapas e/ou bordas de tratores ou motoniveladoras.

Outros pontos importantes no estudo que contribuíram para verificação dos motivos da aceleração do desgaste das caçambas das retroescavadeiras foram a observação da operação do equipamento e a litologia das minas. No primeiro caso, quando o equipamento mantinha a distância recomendada pelo fabricante, os desgastes na parte inferior do bojo eram menores.

Tendo conhecimento, portanto, de como o problema ocorre, passou-se para análise da durabilidade dos materiais aplicados em relação ao seu custo de manutenção e tornou-se possível por meio de acompanhamentos de caçambas do modelo Liebherr R964.

As análises do comportamento de desgaste das caçambas demonstraram os pontos importantes de melhoria e de desperdício, sendo assim, as análises de viabilidade apontaram para as seguintes ações: inspeções preditivas periódicas; medições e análise dos desgastes; reforma no momento correto: controle do desgaste; melhoria da qualidade de solda e do tipo de reforma; atenção ao material em pontos de maior desgaste; orientações quanto ao procedimento operacional; contratação do serviço de reforma com pagamento por performance.

A mudança de abordagem permitiu evidenciar que o principal ganho na manutenção de caçambas está no planejamento, inspeção e controle. O gasto com novas peças, muitas vezes entendido como melhoria, pode se tornar desperdício quando o principal problema está no processo.

Ter o controle ou gerenciar o material de desgaste, neste caso, pode ser compreendido como a maneira de aumentar a disponibilidade do material no melhor custo possível, para isso, faz-se necessário conhecer e analisar os recursos disponíveis na empresa antes do gasto com novas peças ou materiais. Neste sentido, deve-se realizar inspeções objetivando a melhoria da performance do componente ou equipamento.

O produto dessas inspeções deve ser a compreensão de como, quando e onde ocorrem as perdas, isso significa observar, medir e olhar para frente com a finalidade de auxiliar as tomadas de decisões, pois o planejamento de uma reforma, visando o aumento de disponibilidade dependerá de paradas programadas e serviços realizados com as devidas técnicas recomendas. E, tendo como parâmetro a melhoria contínua, os tempos dos serviços podem ser aprimorados favorecendo ainda mais a redução de gastos e o tempo de máquina parada.

Outra estratégia adotada, mas que dependeu da mudança de atitude de todas as partes envolvidas, foi a terceirização do serviço de reforma junto ao acompanhamento da caçamba em parceria com a contrada. Isso permitiu estabelecer com a empresa contratada uma parceria baseada no resultado.

O ciclo por performance simplifica o controle da manutenção e operação DIFL, passando-o para o fornecedor

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