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Lavra em diferentes locais impõe à CBA extenso programa de reabilitação

A unidade de beneficiamento de bauxita da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA) fica hoje em Miraí. Ela foi inaugurada em 2008. Antes, a principal planta industrial de bauxita naquela região da CBA localizava-se em Itamarati de Minas, a cerca de 50 km de distância.

Ambas as localidades ficam na Zona da Mata mineira, mesorregião que possui área geológica de bauxita em uma extensão territorial que se inicia nos municípios de São João Nepomuceno e Descoberto, a pouco mais de 60 km a nordeste de Juiz Fora, se estendendo por 200 km, até a regiões de Manhuaçu e Manhumirim, em uma largura média de 25 km.

Os depósitos se localizam em topos de morro, com corpos de espessura entre 3 m e 4 m, com extensão média de 3 ha a 5 ha, numa área de vales estreitos e algumas montanhas. Trata-se do segundo maior veio de bauxita do País – o primeiro fica no Pará. A pesquisa mineral no local começou na década de 1980.

Quando no início dos anos 90 a CBA passou a processar a bauxita em Itamarati de Minas, as lavras ocorriam em terras de particulares em vários municípios daquela região – cujo polo econômico principal é a cidade de Cataguazes. Atualmente, a unidade de Itamarati de Minas apenas reprocessa os rejeitos.

Agora, esse trabalho de mineralização em terras particulares ocorre na região cujo polo é a cidade de Muriaé, com a planta industrial em Miraí. Esse tipo de exploração, onde as lavras ocorrem de maneira pontual em diferentes localidades, exige um esforço incomum na mineração. Primeiro, tem que se conseguir a autorização para lavrar em propriedade alheia dos órgãos competentes e do próprio dono da terra; segundo, deve-se criar uma infraestrutura para deslocamento e escoamento do run of mine (ROM); e, terceiro, faz-se necessário realizar o trabalho de recuperação da área minerada.

De acordo com a empresa, os acordos com os proprietários rurais são registrados em contrato, que incluem a regularização fundiária da propriedade, o ressarcimento por meio de Compensação de Produção Agropecuária (CPA) e o pagamento pela participação nos lucros da lavra. Depois do fim da operação, a empresa reabilita a área minerada, recuperando o solo e a vegetação original do terreno. A equipe de Licenciamento de Áreas e Reabilitação Ambiental da CBA acompanha o desenvolvimento da vegetação por um período de aproximadamente quatro anos, ou até que a área esteja apta à devolução ao proprietário.

O processo de recuperação da área minerada já ocorria quando a unidade industrial localizava-se em Itamarati de Minas, mas na região de Miraí, o modelo se aperfeiçoou, expandiu, e ganhou novos estudos. Pelo menos 1,2 mil ha de áreas já foram reabilitadas desde o período em que a CBA chegou a Zona da Mata.

A entrega da área é feita por meio de um relatório, que atesta a qualidade da reabilitação ambiental, segundo a empresa. O proprietário recebe, ainda, uma cartilha com orientações e os cuidados que deve ter para manter a área com nível de produtividade elevado. “Neste trabalho mostramos que é possível minerar e entregar a terra com mais produtividade. Trata-se de um
marco em termos de mineração sustentável”, afirma o engenheiro metalúrgico Luís Jorge, diretor de negócio primário da CBA. “Transformamos a terra em algo melhor, de forma singular”.A exploração de minério da CBA se desenvolve atualmente nos municípios de Miraí, São Sebastião da Vargem Alegre e Rosário da Limeira – mas a atividade deve se expandir em breve para outras localidades próximas.

As áreas mineradas mais comuns têm em média 100 mil t de ROM, mas há corpo mineralizado de bauxita com até 600 mil t.

Para realizar o trabalho de mineração, ligando as áreas de mina com a unidade industrial, foram construídos até o momento 21 km de estradas de terra na região.

O trabalho exige mobilização de máquinas, reforço e ampliação de estradas existentes, construção de acessos e emboques, realização de serviços de drenagem, aterro, sinalização, montagem de ponto de apoio, além das escavações para a exploração mineral.

UNIDADE INDUSTRIAL

As áreas das plantas de Miraí e Itamarati de Minas são próprias da CBA. A unidade de Miraí foi projetada para duas linhas de produção, mas, por enquanto, somente uma foi instalada.

O projeto Miraí teve início das obras em 2005. O processo da planta industrial de Miraí envolve moega, britagem (primária e secundária), desagregamento e peneiramento primário (3,55 mm) e secundário (0,6 mm).

A barragem de rejeitos é composta basicamente por argila, sílica e ferro. Uma estação de tratamento devolve a água à bacia do rio Muriaé. A ETA possui capacidade de tratamento de 1.300 m³/hora de água extraída da barragem, gerando 1.000 m³ de água tratada por hora – esse montante é equivalente ao abastecimento de uma cidade de 200 mil habitantes.
Christian Fonseca de Andrade, gerente das unidades Zona da Mata da CBA, conta que a empresa tem focado muito na otimização, redução de custos e melhoria de processos na planta industrial de Miraí.

Com as melhorias implementadas, Christian afirma que a capacidade instalada passou para 3 milhões t/ano. Os projetos introduzidos na unidade industrial elevaram o processamento de 340t/hora nominal para quase 900 t/hora.

A planta industrial de Miraí conta com cerca de 50 máquinas, incluindo para infraestrutura e operação. O número de trabalhadores na planta oscila entre 600 a 700 pessoas. O ROM da mineração da CBA, de acordo com informações atualizadas do último rolling forecast, tem previsão de fechamento este ano em 1,5 milhão t/
ano e 850 mil t/ano de beneficiamento.

O gerente das unidades da Zona da Mata explica que a unidade de Miraí possui elevado grau de automação. “Os equipamentos são acionados por inversores de frequência e acoplamentos diretos, permitindo controlar a velocidade e, por consequência, vazões, pressões, acelerações e alimentações, permitindo ajustar o processo ao minério que está sendo alimentado,
tirando assim a máxima produtividade da usina”, relata.

Segundo Christian, houve grandes evoluções de processo na usina de beneficiamento, onde os equipamentos de britagem, desagregamento e peneiramento passaram por pequenas e seguidas alterações, visando melhorias de performance, sem aportes financeiros relevantes, reduzindo desgastes e manutenções.

O scrubber, por exemplo, passou por alterações na câmara de desagregamento e nas barras elevatórias.

Mais recentemente instalou-se no chute de alimentação um sistema de pré-desagregamento com jatos de água pressurizados, direcionados contra a alimentação do minério, melhorando a qualidade da lavagem da bauxita.

As peneiras passaram por melhorias mecânicas e por diversos avanços nos sistemas de lavagem e nas telas, com foco no aumento da alimentação, na melhoria da qualidade e maior recuperação. A mineradora indica que a peneira secundária é a maior do mundo com o corte em 0,5 mm.

Recentemente também foram desenvolvidos amostradores automáticos que foram instalados na entrada e na saída da usina, que entraram em operação respectivamente em 2016 e este ano. A partir de então, foi excluída a necessidade de coleta manual de amostras de produto, influenciando positivamente os níveis de utilização da planta.

“Com esses trabalhos foi possível alavancar os níveis de produção da unidade e, consequente, redução do custo unitário através da melhoria de todos os KPI’s da usina e principalmente da recuperação mássica, que saltou de 37%, em 2013, para 49%, em 2016”, afirma Christian Fonseca de Andrade.

AÇÃO AMBIENTAL

Christian explica que existem três linhas de pesquisa em andamento atualmente voltadas às ações ambientais da empresa: reabilitação ambiental, restauração florestal e conservação hídrica.

Toda área mineralizada em terras particulares na zona rural da região é devolvida de acordo com o acertado com o proprietário, o que inclui com produção de café e eucalipto, e área de pastagem de gado (três das principais atividades econômicas locais), além de mata nativa.

De forma sucinta, o processo de recuperação pós–lavra é feito na seguinte ordem: decapeamento, reconformação topográfica com devolução do solo rico, correção e preparo do solo, plantio, manutenção e controle.

Para estudar esse trabalho de recuperação, a CBA criou áreas de experimento de melhorias técnicas.

Uma delas possui quase 6ha que envolvem café, eucalipto e mata nativa, no município de São Sebastião da Vargem Alegre. O local foi uma das primeiras áreas mineradas pela CBA na região.

Esta área dedicada a estudos com café verificou-se que a produção é acima da média local. Com isso, a empresa acredita que possa replicar as experiências com os produtores locais,
principalmente àqueles de áreas já mineradas.

BIOINDICADORES

O projeto “Aplicação de bioindicadores de avaliação e monitoramento em áreas restauradas pela CBA”, premiado na categoria Preservação ambiental no 19º Prêmio de Excelência da Indústria Minero-Metalúrgica – 2017, promovido pela revista Minérios & Minerales, exemplifica o processo de reabilitação ambiental e restauração florestal que ocorrem em áreas mineradas.

A aplicação de bioindicadores de avaliação e monitoramento em áreas restauradas pela CBA é um dos estudos dessa operação da empresa de recuperação de áreas mineradas na Zona da Mata mineira. A meta é tornar a floresta plantada autossustentável, dispensando intervenções de manejo. Os bioindicadores envolvem banco de sementes do solo, regeneração natural, mortalidade de mudas, abertura do dossel com fotografias hemisféricas, produção e decomposição de serapilheira.

Através da aplicação destes bioindicadores é possível avaliar o nível de sucesso de um determinado projeto de restauração ou em outra área que foi destinada a compensação ambiental, bem como corrigir eventuais desvios de rota considerando as metas propostas.

Este trabalho é conduzido por Aldo Teixeira Lopes, engenheiro florestal da CBA, e Sebastião Venâncio Martins, mestre em Ciência Florestal e doutor em Botânica e Restauração Ecológica, e professor da Universidade Federal de Viçosa (UFV).

A semeadura de plantas chamadas de cobertura, que fazem a proteção do solo, fixação de nitrogênio, e a regeneração é a principal técnica do projeto voltado à restauração da mata. O estudo aponta que áreas antigas que sofreram replantio pós-mineralização estão melhores do que a mata secundária hoje existente na região, evidenciando a sustentabilidade da atividade
de mineração na localidade.

Estes experimentos que estão sendo feito têm também como meta a redução dos custos da restauração de áreas mineradas.

CONSERVAÇÃO HÍDRICA

O trabalho voltado à conservação hídrica está dentro de uma iniciativa específica intitulada Programa de Estudos Hidrológicos na CBA – unidade Miraí (PEHI-
DRO), desenvolvida pela UFV. Herly Carlos Teixeira Dias, professor de hidrologia da universidade e responsável pelo programa, explica que a discussão sobre a água se acentuou nos últimos
anos devido ao déficit hídrico. “Uso do solo que tem contato com a água é apontado como vilão, mas não população cobra respostas imediatas, mas não terá
agora. Todos esses estudos que estão sendo gerados vai ajudar a mineração a ser mais sustentável”.

Este programa é dividido em vários projetos, como o de avaliação da eficiência das barraginhas na área minerada e o sistema de drenagem no período de mineralização; o de análise de escoamento superficial antes e depois da mineralização; o de monitoramento de nascentes; o de melhoria de recarga do lençol freático, entre outros.

O trabalho mais adiantado nessa linha de pesquisa é do mestrado de Lucas Jesus da Silveira. Ele avalia o escoamento superficial em áreas de mineração de bauxita, pré e pós lavra, na região, notadamente em áreas com eucalipto. O seu trabalho indica que em área de pré-mineração havia escoamento de 0,58%, sendo o restante retido na vegetação, infiltrado ou evaporado. No estudo em área pós-lavra, o escoamento alcançou apenas 0,17%, melhorando o índice dessa ação da chuva no meio ambiente que costuma criar problemas de erosão a enchentes. há comprovação disso. A relação é complexa”, diz. “A Há outros estudos de reabilitação ambiental e restauração florestal envolvendo teses de doutorado, dissertação de mestrado, trabalhos de conclusão de curso e artigos. Ainda este ano serão iniciados novos trabalhos científicos para reabilitação de áreas com novas culturas, informa a CBA. O escopo dos projetos está em definição junto à Universidade Federal de Viçosa.

PRODUTOR RURAL

Marcílio Lopes Martino Pacheco, 73 anos, em sua casa, em São Sebastião da Vargem Alegre, conta que de suas 13 áreas que mantém na região, a CBA já atuou em três delas.

Em suas terras, Marcílio tem pasto e plantações de café, milho, feijão e eucalipto. “Falavam que não ia dar certa a mineração. Hoje, ficou bom pra gente. A recuperação melhorou o solo”, garante.

Ele passou inclusive a aplicar a técnica da curva de nível, que ajuda na infiltração da água, prática realizada na hora da reabilitação de solo feita pela CBA nos topos de morro da região. Existem
estradas construídas pela CBA para escoamento de minério cortando terras de Marcílio. Há quatro anos que começou a mineralização em suas áreas – existem inclusive algumas ainda em recuperação.

Desde 2001 a CBA realiza ações sociais na região. Primeiro, começou no entorno da unidade industrial de Itamarati de Minas. Em 2008, esse trabalho passou a ocorrer nas proximidades da planta de Miraí e de lá para cá mais de 30 iniciativas foram apoiadas, principalmente voltadas à geração de renda. Luiz Carlos Pinheiro da Silva chegou a São Sebastião da Vargem Alegre em 2008. O município é um tradicional produtor de leite e café. Quando aportou no município, Pinheiro fundou junto com a associação de produtores locais uma ONG para qualificar a mão de obra, evitar a evasão rural e criar alternativa de renda.

Em 2013, ele passou a estudar uma forma de diversificar o uso da terra e investir na fruticultura.

Depois de várias análises, os produtores decidiram que a banana seria a melhor opção para plantio e, assim, deu-se início a este projeto.

Hoje, 27 famílias estão envolvidas na iniciativa, com 30 mil pés plantados de banana. Atualmente, ele investe no programa de uva de mesa e vinífera – já há cinco famílias trabalhando com isso, ampliando a fruticultura.

A contrapartida da CBA neste projeto foi o custeio das capacitações relacionadas à tecnologia, plantio de bananas, beneficiamento de alimentos, comercialização e marketing. Várias oficinas foram realizadas de compostagem, processamento de bananas, recebimento, classificação, separação e estudo de mercado.

CARTILHA PARA O PRODUTOR

Uma cartilha elaborada pela CBA, com apoio de uma equipe técnica e órgãos públicos, oferece ao produtor local uma cartilha com as melhores práticas de manejo do solo e plantio. O objetivo é adotar técnicas adequadas em áreas que sofreram revegetação.

O trabalho descreve desde o processo de exploração de bauxita até as tecnologias adotadas para proporcionar infiltração mais rápida de água no solo com as barraginhas (empregadas no período de mineralização), a reabilitação da área minerada, os cuidados com o solo na adoção de pastagens, e nas colheitas de café e eucalipto.

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