Indústria de cimento investe no médio prazo

Setor espera que medidas no cenário político-econômico resultem na retomada da economia e do crescimento da construção civil. Boa notícia é que País ainda possui alto déficit habitacional, carências gigantescas em infraestrutura e baixo consumo per capita de cimento. Guilherme Arruda

Impactado pela crise político-econômica que afeta o País, as vendas de cimento para o mercado interno brasileiro no primeiro trimestre de 2016 atingiram 13,9 milhões t, uma queda de 14,7%
em relação a igual trimestre de 2015. Segundo projeções do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (Snic), a previsão é de uma queda em torno de 15% nas vendas de cimento em 2016,
ficando abaixo das 60 milhões t. Caso isso ocorra, o recuo ficará acima de 2015, que foi de 9,2%.
Por outro lado, a necessidade de melhorias na área de infraestrutura em todo o País, o déficit habitacional e de saneamento básico; e a retomada de obras paralisadas reascendem a esperança
do setor a longo prazo. Sendo assim, especialistas afirma que os aportes recentes para aumento da capacidade e em novas unidades não serão em vão. Na última década, de 2005 a 2015, a
indústria de cimento brasileira aumentou a sua capacidade produtiva de 60 milhões t para 90 milhões t. Atualmente, o setor opera abaixo dos 70% de utilização da capacidade instalada.
De acordo com José Otavio Carvalho, presidente da Snic, o setor foi afetado, principalmente, pela paralização de obras de moradia e infraestrutura. Segundo ele, diversas obras em todo o País estão paradas e sem perspectiva de reinício a curto prazo.
Somado a isso, tem-se o aumento da energia elétrica, dificuldades para o acesso ao crédito (custo do capital) e a alta do combustível. Segundo Carvalho, atualmente, as companhias gastam mais para produzir cimento quando comparado com anos anteriores e têm tido dificuldade para repassar os custos para os consumidores em função da queda da demanda.
As vendas de cimento acumuladas no período de janeiro a maio de 2016 alcançaram 23,2 milhões t.
Na comparação com igual período de 2015 caíram 13,9%. As vendas acumuladas nos últimos doze meses (junho de 2015 a maio de 2016) atingiram 61 milhões t, uma retração de 11,3% sobre igual período anterior (junho de 2014 a maio de 2015).
No primeiro trimestre, todas as regiões do País tiveram queda nas vendas de cimento, segundo os dados do Snic, com destaque para os recuos de 22,8% no Centro-Oeste, 16,3% no Sudeste e 15,3% no Nordeste.
O desaquecimento do setor de construção civil também influenciou negativamente a venda de aços longos, que como o cimento também são amplamente empregados nas obras de construção civil.
No primeiro bimestre, os negócios com o insumo caíram 14,5% sobre o mesmo período no ano passado.
Raio-x do setor
Componente básico do concreto, que é o material mais consumido no planeta depois da água, a produção de cimento é um dos indicadores de desenvolvimento do país. Isto porque o insumo é utilizado intensamente pelo setor de construção civil para a construção de estradas, pontes, indústrias, residências, estabelecimentos comerciais, ou seja, empreendimentos que demandam muitos materiais, mão de obra e produtos acabados.
Neste cenário, as empresas de cimento investem no aumento de suas capacidades e puxam, consequentemente, o consumo de insumos de base-mineral utilizados para a sua fabricação, como calcário, argila e gipsita (gesso). Proporcionalmente, o calcário apresenta maior participação na combinação de substâncias exigidas para a produção de cimento, calculando-se uma relação da ordem de 1,4 t de rochas calcíticas para cada tonelada de cimento produzida.
Nos últimos 10 anos, a indústria brasileira de cimento dobrou de tamanho, passando da 10ª colocação em consumo no mundo para o 4º lugar, ficando atrás apenas da China, Estados Unidos e Índia. Em 2010, por exemplo, o mercado doméstico consumiu 59 milhões t. Em 2011 com 64 milhões e, em 2012, com 68 milhões.
O parque industrial cimenteiro do Brasil é formado por mais de 20 grupos, onde se destacam: Votorantim, João Santos, Cimpor, Intercement, Lafarge- Holcim, Nassau, Mizu, Tupi, CSN, Grupo Brenand, Ciplan, Itambé, entre outros.
Votorantim irá manter investimentos
De acordo Walter Dissinger, presidente da Votorantim Cimentos, a empresa irá manter os investimentos programados para os próximos anos. Apesar da queda da demanda, a empresa, maior produtora de cimento do País, optou em seguir com seus aportes em função dos bons resultados do seu programa de cortes de custos operacionais e aumento da eficiência produtividade.
No ano passado, a companhia iniciou a operações da planta de Edealina, que recebeu aportes de R$ 600 milhões, possui uma capacidade produtiva anual de 2 milhões t de cimento e será abastecida com o calcário explorado na mina Boa Vista, localizada próxima a fábrica e com vida útil estimada em 45 anos. No depósito, a empresa pretende extrair cerca de 12 mil t do minério por dia, que processado com argila e corretivos dará origem ao clínquer, principal matéria-prima para a fabricação de cimento.
No âmbito internacional, a cimenteira dará continuidade ao seu programa de investimento que vai até 2018, com expansões nos Estados Unidos, Argentina, Turquia e uma nova unidade na Bolívia.

As vendas de cimento acumuladas no período de janeiro a maio de 2016 alcançaram 23,2 milhões t

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