Dragagem recupera finos na mina São Francisco

Após comparação entre métodos de retirada de finos, Mineração Apoena optou pela utilização de sistema de dragagem

De autoria dos profissionais da Mineração Apoena, Thiago Vitali Pignaton, Samuel Trindade Viana, José Carlos Ferreira e Gesio Tomaz, o trabalho “Implantação de sistema de dragagem/ciclonagem gera redução de custos superior a R$ 3 milhões na mina São Francisco” foi um dos laureados pelo 18° Prêmio de Excelência da Indústria Minero-metalúrgica Brasileira da revista Minérios & Minerales.

O projeto focou na comparação financeira entre os métodos de retirada de finos do dique através de draga em relação ao aluguel de máquinas. Nesse sentido, os envolvidos no projeto traçaram o objetivo de dobrar a recuperação dos finos, reduzindo o ritmo de assoreamento e aumentando a produção. O resultado do estudo foi uma economia prevista superior a R$ 3.000.000 no período de janeiro de 2014 até junho de 2016.

Localizada no município de Vila Bela da Santíssima Trindade (MT), a aproximadamente 500 Km da capital Cuiabá, a mina São Francisco foi adquirida pela canadense Aura Minerals (controladora da Apoena) em maio de 2010, junto a Yamana Gold. A partir daí, a mina São Francisco vem passando por processos de transformações, tais como: abertura de cava, reforma da planta e melhorias de processo que tornaram a mina altamente produtiva e sustentável diante do atual cenário do mercado de ouro.

Com o aumento da produção, elevou-se também a geração de finos que são lançados junto com água de processo para o dique. Os finos representam uma perda da ordem de 15% ou 50.000 t/mês, pois a planta não possui um espessador no circuito gravimétrico. Parte destes finos, cerca de 20.000 t/mês são recuperados com equipamentos moveis alugados (retroescavadeiras/caminhões) e posteriormente são transportados para a pilha de lixiviação Ocorre que mensalmente são depositados no dique cerca de 30.000 t/mês de finos, fato que, além de representar uma grande perda de produção, estava causando assoreamento do dique, elevando o risco de falta de água para a planta gravimétrica.

O circuito de lixiviação é feito através de pilhas estáticas de minério, depositadas umas sobre as outras, por onde percola solução de cianeto em pH controlado para extração do ouro que não foi recuperado nos processos gravíticos anteriores. A solução lixiviada é coletada em ponds classificados separadamente para altos teores (pregnant) e teores intermediários de ouro. Na sequência, têm-se as colunas de adsorção em carvão ativado, a eluição (dessorção), eletrolise e fundição. Para períodos chuvosos tem-se um pond anexado ao circuito que coleta o excesso de solução para tratamento (neutralização) e posterior descarte, evitando assim, perdas de ouro e danos ambientais.

Conforme arquivo histórico, dois outros diques foram exauridos no passado (foram completamente assoreados pelos finos), representando um custo extra para a empresa a construção de novas estruturas para armazenamento de água e finos. Sabe-se que a construção destes diques representa investimentos da ordem de milhões de dólares, a depender o seu tamanho.

Com o objetivo de eliminar a construção de novos diques a unidade de SF iniciou a retirada de finos através de máquinas em 2011 e com um sistema rudimentar de dragagem em 2012. Conforme relatado, existem três possíveis formas de garantir o fornecimento de água para a planta. O primeiro, construção de um novo dique, foi descartado por ter elevado tempo de implantação e altos custos. Restaram duas possibilidades: sistema de dragagem/ciclonagem ou retirada dos finos com equipamentos (retroescavadeira + caminhões). Para definir qual a melhor opção, foram realizadas análises financeiras comparando os dois métodos.

Conforme a análise financeira através de VPL, a utilização de sistema de dragagem e ciclonagem apresentou retorno financeiro significativo, superior a R$ 3.000.000, além do prazo de Payback ser de 10 meses, atendendo ao requisito de tempo para validação deste projeto.

Os principais ganhos intangíveis estão relacionados à segurança do trabalho e meio ambiente, devido à redução do número de equipamentos e máquinas utilizados no processo, significando menor risco de colisão e tombamento, além do menor consumo de combustíveis fósseis.

Conheça os autores do projeto

Thiago Vitali Pignaton – Coordenador de Beneficiamento na Mineração Apoena.

Samuel Trindade Viana – Engenheiro de Processo na Mineração Apoena.

José Carlos Ferreira – Supervisor da planta na Mineração Apoena.

Gesio Tomaz – Supervisor da Planta na Mineração Apoena.

Leia na íntegra o trabalho “Implantação de sistema de dragagem/ciclonagem gera redução de custos superior a R$ 3 milhões na mina São Francisco ”.

Fonte: Revista Minérios & Minerales

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