MUSA adotará armazenamento a seco de rejeitos

A Mineração Usiminas (MUSA) irá implantar em sua unidade de Itatiaiuçu (MG) um novo sistema de disposição de rejeitos filtrados. O investimento no projeto é de R$ 140 milhões e deverá dar destinação aos rejeitos do processo produtivo do minério de ferro.

“Trata-se de uma transformação tecnológica”, avalia André Chaves, gerente-geral de Sustentabilidade da Usiminas. Segundo ele, o processo de transição da barragem tradicional para um processo de filtragem e armazenamento 100% a seco é irreversível. O prazo para conclusão das obras, após seu início, está estimado em 12 meses.

O processo de empilhamento do rejeito demanda menor área para disposição. Além disso, à medida que vai sendo formada, a pilha vai simultaneamente sendo revegetada para fins ambientais e geotécnicos. A nova metodologia também eleva os níveis de recuperação de água.

Os materiais da planta serão enviados para uma planta de filtragem, composta basicamente por processo de espessamento e a própria filtragem.

A água originada no processo será recirculada, retornando para a flotação como água de processo, enquanto a torta de rejeitos filtrados será transferida por meio de uma correia transportadora, que formará a pilha intermediária. Desta pilha, os rejeitos filtrados serão transportados por caminhões para a área do empilhamento a seco, onde tratores e rolos serão utilizados para espalhar e compactar o material. A expectativa da Usiminas com o novo sistema é elevar o nível de recirculação de água no processo produtivo, uma vez que não haverá perdas por infiltração e evaporação, o que é normalmente observado no sistema de disposição de rejeitos em barragem convencional.


Instalações de tratamento de minérios da Usiminas 

Adicionalmente, parte da água que antes ficava retida junto com o rejeito no reservatório da barragem passará a recircular diretamente para a planta, uma vez que o sistema de filtragem aumentará a concentração de sólidos no rejeito final, passando dos atuais 45% para aproximadamente 88%.

“A água será quase toda reaproveitada”, diz André. Com isso, a mineradora espera 40% de economia no consumo de água que abastece a planta por conta do alto aproveitamento para recirculação no processo.

Atualmente, se desenvolve o projeto detalhado do sistema de disposição de rejeitos filtrados. O gerente de sustentabilidade explica que ainda se avalia o que fazer com o rejeito a seco como coprodutos, mas ainda de forma inicial. “O estudo ainda é incipiente para encontrar aplicação ao rejeito neste momento”, afirma.

PROJETO FRIÁVEIS

A adoção do processo de filtragem dos rejeitos integra o Projeto Friáveis, iniciado em 2012, que ampliou a capacidade produtiva da empresa para 12 milhões de t/ano.

Neste projeto, ocorreu a construção de duas novas ITMs: Samambaia e Flotação. Nos anos de 2013 e 2014, as estruturas entraram em operação. No ano de 2015, em função da crise econômica, a MUSA reajustou o nível de produção e a operação continuou apenas com a Instalação de Tratamento de Minério Oeste. Já em 2017, com a retomada do mercado, a ITM Flotação voltou a operar, juntamente com a Mina Leste.

A Mineração Usiminas possui hoje cinco instalações de tratamento de minério, situadas em três minas: Mina Oeste (ITM Oeste e ITM Samambaia), Mina Central (ITM Flotação e ITM Central) e Mina Leste (ITM Leste). A MUSA produz quatro tipos de minério de ferro: granulado grosso e fino, sinter feed e concentrado.

Cada ITM tem sua rota de processo específica: na Leste, são produzidos granulado e sinter feed; na Oeste, granulado, sinter feed e pellet feed; na Central, granulado, sinter feed e pellet feed; na Samambaia, sinter feed; e na Flotação, concentrado. A planta da Flotação é alimentada 100% com rejeitos provenientes de estoques e depositado em barragem.

O Projeto Friáveis contou também com a implantação da barragem de Samambaia – é a terceira do complexo da Usiminas. Das duas outras, uma delas já foi lavrada.

De acordo com André Chaves, a opção pelo sistema de filtragem de rejeitos foi muito bem pensada pela empresa. “Tem peso no ponto de vista social. Em referência de acontecimentos passados, e a nova legislação em estudo, impulsionou a adoção do sistema pela Usiminas”, ressalta.

O gerente-geral de sustentabilidade conta que reuniões com a comunidade foram feitas para não ter dúvidas sobre o futuro das barragens da mineradora. “Temos convicção do modelo adotado. Com certeza será aplicado por outras empresas. Possui vantagens do ponto de vista técnico e enorme valor socioambiental”, finaliza.

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Nova planta de moagem e flotação da Ferrous eleva teor para 65% Fe e reduz sílica para 4,5%

Para aumentar a competitividade no mercado internacional de seus produtos, a mineradora Ferrous está investimentos cerca de US$ 80 milhões em um projeto para melhorar o teor de ferro do minério de ferro extraído de sua planta em Congonhas (MG). Quem relata é Sergio Correa Botelho, diretor de Operações da Ferrous, e Thiago Ozorio Moreira, gerente de Operações da mineradora.

O escopo central do projeto, intitulado Viga 4+, é aumentar a qualidade do minério produzido na Mina Viga – e processado na planta – passando o teor de ferro de 61% para 65%, e reduzindo a sílica de 7,5% para 4,5%. O início da nova operação está previsto para novembro.

Hoje, de acordo com a Ferrous, a usina produz cerca 3,6 milhões de t/ano. No projeto Viga 4+ a meta num primeiro momento é alcançar 4 milhões de t/ano de produção de minério de ferro com melhor qualidade.

Sergio explica que a planta atual irá gerar um pré-concentrado de separação magnética com aproximadamente 43% de ferro para compor a alimentação da nova usina de moagem e flotação.

Com isso, a mineradora espera concentrar seu negócio no minério premium, que passou a ter maior rentabilidade no exterior, principalmente na China, com as restrições ambientais impostas naquele país – nas siderúrgicas chinesas o minério com maior teor de ferro emite menos gás carbônico. No mercado internacional, o minério premium deve ter pelo menos 65% de teor de ferro e 4,5% para baixo de sílica.

A implantação do projeto inclui na planta dois moinhos, dois ciclones, células de flotação e espessadores. O diretor conta que a ampliação da planta exigiu 350 pessoas no pico das obras.

O executivo relata ainda que o projeto piloto foi um trabalho de longa maturação, com estudos detalhados. A etapa mais complexa é a interligação da nova estrutura à antiga na mesma planta.

SÍLICA

Na unidade de beneficiamento de minério de ferro existente, a Ferrous já vinha trabalhando para reduzir a penalidade do contaminante sílica no concentrado de minério de ferro – o teor elevado de sílica reduz a margem de venda do concentrado.

Foram estudados vários métodos de concentração de minério de ferro e também se este minério possuía grau de liberação suficiente para concentrações adicionais. Nesta iniciativa, a principal solução adotada incluiu separador magnético de alta intensidade a úmido.

FICHA TÉCNICA
Ampliação da Ferrous
em Congonhas (MG)

Projeto básico: ECM Projetos Industriais
Projeto Executivo: Ausenco
Montagem: Milplan e Parex Engenharia
Equipamentos: FL Smidth
Moinhos: Citic
Automação e elétrica: IHM

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Projetos dão melhoria operacional e de produtividade à unidade industrial da Nexa Resources

A Nexa Resources desenvolveu dois projetos na unidade metalúrgica de zinco de Três Marias (MG), que proporcionaram melhoria operacional e de produtividade à empresa. Um foi a implantação de uma caldeira de biomassa para geração de vapor, importante insumo da planta; outro se relaciona à aumento de produtividade nas linhas de jumbo.
Em 2014 foi elaborado um estudo de oportunidades de energia na planta. Desse trabalho, identificou-se uma que previa a substituição dos combustíveis usados por alternativos, notadamente na geração de vapor.

O engenheiro Diogo Marcilio Alves da Silva, gestor de energia da Nexa em Três Marias, explica que a planta usa grande quantidade de energia térmica, sendo a etapa de processo realizada na autoclave como o de maior consumo (80% do vapor produzido para atender a unidade).

Assim, foi desenvolvido esse projeto de flexibilização de energia. A opção da empresa foi realizar parceria com um terceiro na geração de energia por biomassa em caldeira. A empresa escolhida foi a Combio, fundada em 2008 e com experiência em implantação de projetos desse tipo em outras plantas industriais.

Então, deu-se a realização do projeto na prática, sendo colocado em funcionamento no ano passado em uma área dentro do próprio complexo da Nexa em Três Marias – área cedida em regime de comodato

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Planta Industrial da Nexa Resources em Três Marias (MG)

De acordo com a Nexa, o modelo adotado de terceirização dessa atividade foi apoiado no fato de o negócio ser muito específico – a terceirização evitaria a imobilização de capital e, ao mesmo tempo, oferecia custos mais competitivos.

A planta de biomassa é alimentada por madeira de eucalipto, proveniente de floresta manejada e certificada – não muito distante da unidade industrial.

Na própria unidade florestal é realizado pela Combio o processo de trituração da madeira para adequar o produto à necessidade da caldeira, num volume de 6.000 t/mês. A madeira triturada é então transportada à planta da Nexa.

A unidade de vapor tem a capacidade de armazenamento de 300 m³ de biomassa em área coberta e de aproximadamente 4.000 m³ na área externa. O estoque é suficiente para operação à capacidade máxima da caldeira durante pelo menos quatro dias.

A Combio é responsável pela operação e manutenção do sistema. A biomassa chega até a fornalha da caldeira através de um sistema de alimentação composto por moega de recebimento, detector de metais e peneira classificatória.

O vapor gerado segue por tubulação de 10” até ser entregue no coletor, com produção máxima de 40 t/h – 23 bar. Porém, a produção da planta hoje é de 30 a 34 t/hora. O gestor de energia da Nexa explica que toda a planta em Três Marias consome 53 t/h de vapor.

Antes, na autoclave, existiam duas caldeiras a diesel para atendê-la. Ela consumia cerca de 15 t/h de óleo, gerando 33 mil t de gás carbônico por ano – equivalente a 20% de toda emissão da planta.

Agora, as duas caldeiras a óleo foram desativadas com o projeto – elas são acionadas quando necessário, como a manutenção da caldeira de biomassa. Isso representou redução de custo de R$ 12 milhões ao ano, segundo a Nexa.

O mesmo conceito será replicado para as demais unidades, prevendo a terceirização da produção de calor com empresas especializadas em energia. Em Juiz de Fora (MG), onde existe outra planta da Nexa, já há estudos para substituir também o gás natural por biomassa.

LINHAS DE JUMBO

A partir de uma demanda da área comercial do grupo controlador da Nexa Resources, a Votorantim, foi implementado projeto de aumento de produtividade nas linhas de jumbo da unidade industrial de Três Marias. A equipe de Desenvolvimento de Mercado identificou que alguns dos clientes da empresa estavam migrando para a compra dos produtos no formato de jumbos (de 1 a 2 t), abandonando o formato tradicional de barras.

Com isso, o engenheiro Marcos Ávila, coordenador de produção da unidade, explica que foi identificado e executado melhorias que aumenta a capacidade das linhas de jumbo. O objetivo foi elevar a produção das linhas de Jumbo em 10%, garantindo mais competitividade no mercado de zinco.

A produção média das linhas de jumbo era de 227 t/dia, medida entre janeiro de 2017 a fevereiro de 2018. A meta inicial foi chegar a 250 t/dia. Dessa forma, foi mapeada 65 oportunidades de melhorias. Para implantação do projeto, adotou-se a metodologia Kaisen de melhoria contínua e ganho rápido.

O projeto buscou unir a multidisciplinaridade dos profissionais da companhia em Três Marias para melhorar a produção nas linhas de Jumbo. Após a classificação do impacto nas 65 oportunidades selecionadas, chegou-se a uma lista de 25 soluções para serem implementadas. Dentre as ações mapeadas, incluíam alteração dos padrões de especificação dos pesos dos lingotes; limpezas internas nos fornos para aumentar o volume útil; alteração do padrão de abastecimento dos fornos; alteração das rotas de inspeção da manutenção; e mudanças dos planos das preventivas dos equipamentos.

O coordenador conta que foi feita a priorização de oportunidades para serem implementadas. O plano de ação foi adotado em duas semanas, em fevereiro de 2018. Como resultado, houve aumento do peso dos produtos da linha de jumbos, alcançando 283 t/dia, ficando acima da meta de 250 t/dia. Isso significou 25% de aumento da produção.

As conclusões indicam que a metodologia Kaizen foi eficaz e replicável à maioria dos projetos de melhoria da empresa. Assim, segundo Marcos Ávila, os próximos passos será a replicação da metodologia Kaizen para as demais linhas de produção e para outras unidades da Nexa. “A participação da operação e da manutenção, pensando conjuntamente como melhorar o dia a dia da produção, foi fundamental para alcançar tais resultados”, afirma o engenheiro.

Segundo ainda Marcos, a iniciativa ressalta que pequenos projetos podem trazer grandes resultados para a empresa. “Mais do que o impacto em termos de ganho na produção para a companhia, o projeto Kaizen revela ganhos na integração e engajamento dos empregados, deixando-os motivados e mais analíticos para a busca da melhoria contínua”, afirma.

APOSTA EM MELHORIAS

O gerente-geral da planta, Warley José Gomes Pereira, aposta nas melhorias de processos para ganho de produtividade e redução de custos. Ele tem incentivado os especialistas da companhia para produção de projetos, como estes apresentados anteriormente.

Ele conta que há mais de uma dezena de projetos de melhoria feitos ano passado pelos colaboradores. Os projetos nascem a partir de ocorrências detectadas no dia a dia.

A Nexa Resources é a união da Votorantim Metais, e da Milpo, no Peru, com atuação na mineração de zinco, cobre, chumbo e outros. A empresa faz parte do grupo Votorantim.

A companhia possui operação de mineração no Peru, com sete minas, Morro Agudo (município de Paracatu), com duas minas, e Vazante, ambas em Minas Gerais. São três plantas metelúrgicas Cajamarquilla (Peru), Três Marias e Juiz de Fora (MG).

A unidade de Três Marias foi fundada em 1969. Trata-se de uma planta metalúrgica com tecnologia para tratamento integrado de concentrados com qualidade química distintas (silicatado e sulfetado).

Das duas minas de Morro Agudo provém o zinco silicatado (72% do minério processado na planta). Já de Vazante, o zinco sulfetado (11% do minério processado na planta) – as minas do Peru são também de sulfetado e de 17% da produção de lá vem para a planta de Três Marias.

Nesta metalúrgica faz-se lingotes de zinco, ligas especiais e óxido de zinco. Em 2017, produziu-se 191,9 t de produto.

O investimento na planta ano passado atingiu R$ 117 milhões.

Nos últimos sete anos a unidade industrial fez investimentos socioambientais na região de R$ 9 milhões. O objeto das iniciativas é contribuir com o desenvolvimento local de Três Marias e do município vizinho de São Gonçalo do Abaeté, com foco no apoio à gestão pública, educação e geração de trabalho e renda.

 

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Vale pode investir US$ 1 bi em Salobo

A Vale, que está conseguindo se capitalizar em função das vendas crescentes de minério de ferro de Carajás para a China, deve aprovar uma expansão de US$ 1 bilhão de sua mina de cobre no Brasil, segundo fontes do mercado.

Desenvolver a terceira etapa de Salobo levaria cerca de três anos para ser concluída e adicionaria cerca de 50 mil t/ano à capacidade da mina no Estado do Pará. Salobo atualmente produz cerca de 200.000 t de cobre por ano.

O plano da vale de investir no novo projeto de cobre ocorre na medida em que os estoques mundiais do metal caem – há um consenso crescente no mercado de que o cobre estará em déficit já no próximo ano.

A Vale, com sede no Rio de Janeiro (RJ), continua a colher as recompensas da crescente demanda da China por seu minério de ferro de baixo custo e qualidade superior. Ao mesmo tempo, a Vale está produzindo em níveis recordes, enquanto a desvalorização do real está aumentando os lucros da empresa.

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