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MUSA adotará armazenamento a seco de rejeitos

A Mineração Usiminas (MUSA) irá implantar em sua unidade de Itatiaiuçu (MG) um novo sistema de disposição de rejeitos filtrados. O investimento no projeto é de R$ 140 milhões e deverá dar destinação aos rejeitos do processo produtivo do minério de ferro.

“Trata-se de uma transformação tecnológica”, avalia André Chaves, gerente-geral de Sustentabilidade da Usiminas. Segundo ele, o processo de transição da barragem tradicional para um processo de filtragem e armazenamento 100% a seco é irreversível. O prazo para conclusão das obras, após seu início, está estimado em 12 meses.

O processo de empilhamento do rejeito demanda menor área para disposição. Além disso, à medida que vai sendo formada, a pilha vai simultaneamente sendo revegetada para fins ambientais e geotécnicos. A nova metodologia também eleva os níveis de recuperação de água.

Os materiais da planta serão enviados para uma planta de filtragem, composta basicamente por processo de espessamento e a própria filtragem.

A água originada no processo será recirculada, retornando para a flotação como água de processo, enquanto a torta de rejeitos filtrados será transferida por meio de uma correia transportadora, que formará a pilha intermediária. Desta pilha, os rejeitos filtrados serão transportados por caminhões para a área do empilhamento a seco, onde tratores e rolos serão utilizados para espalhar e compactar o material. A expectativa da Usiminas com o novo sistema é elevar o nível de recirculação de água no processo produtivo, uma vez que não haverá perdas por infiltração e evaporação, o que é normalmente observado no sistema de disposição de rejeitos em barragem convencional.


Instalações de tratamento de minérios da Usiminas 

Adicionalmente, parte da água que antes ficava retida junto com o rejeito no reservatório da barragem passará a recircular diretamente para a planta, uma vez que o sistema de filtragem aumentará a concentração de sólidos no rejeito final, passando dos atuais 45% para aproximadamente 88%.

“A água será quase toda reaproveitada”, diz André. Com isso, a mineradora espera 40% de economia no consumo de água que abastece a planta por conta do alto aproveitamento para recirculação no processo.

Atualmente, se desenvolve o projeto detalhado do sistema de disposição de rejeitos filtrados. O gerente de sustentabilidade explica que ainda se avalia o que fazer com o rejeito a seco como coprodutos, mas ainda de forma inicial. “O estudo ainda é incipiente para encontrar aplicação ao rejeito neste momento”, afirma.

PROJETO FRIÁVEIS

A adoção do processo de filtragem dos rejeitos integra o Projeto Friáveis, iniciado em 2012, que ampliou a capacidade produtiva da empresa para 12 milhões de t/ano.

Neste projeto, ocorreu a construção de duas novas ITMs: Samambaia e Flotação. Nos anos de 2013 e 2014, as estruturas entraram em operação. No ano de 2015, em função da crise econômica, a MUSA reajustou o nível de produção e a operação continuou apenas com a Instalação de Tratamento de Minério Oeste. Já em 2017, com a retomada do mercado, a ITM Flotação voltou a operar, juntamente com a Mina Leste.

A Mineração Usiminas possui hoje cinco instalações de tratamento de minério, situadas em três minas: Mina Oeste (ITM Oeste e ITM Samambaia), Mina Central (ITM Flotação e ITM Central) e Mina Leste (ITM Leste). A MUSA produz quatro tipos de minério de ferro: granulado grosso e fino, sinter feed e concentrado.

Cada ITM tem sua rota de processo específica: na Leste, são produzidos granulado e sinter feed; na Oeste, granulado, sinter feed e pellet feed; na Central, granulado, sinter feed e pellet feed; na Samambaia, sinter feed; e na Flotação, concentrado. A planta da Flotação é alimentada 100% com rejeitos provenientes de estoques e depositado em barragem.

O Projeto Friáveis contou também com a implantação da barragem de Samambaia – é a terceira do complexo da Usiminas. Das duas outras, uma delas já foi lavrada.

De acordo com André Chaves, a opção pelo sistema de filtragem de rejeitos foi muito bem pensada pela empresa. “Tem peso no ponto de vista social. Em referência de acontecimentos passados, e a nova legislação em estudo, impulsionou a adoção do sistema pela Usiminas”, ressalta.

O gerente-geral de sustentabilidade conta que reuniões com a comunidade foram feitas para não ter dúvidas sobre o futuro das barragens da mineradora. “Temos convicção do modelo adotado. Com certeza será aplicado por outras empresas. Possui vantagens do ponto de vista técnico e enorme valor socioambiental”, finaliza.

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Nova planta de moagem e flotação da Ferrous eleva teor para 65% Fe e reduz sílica para 4,5%

Para aumentar a competitividade no mercado internacional de seus produtos, a mineradora Ferrous está investimentos cerca de US$ 80 milhões em um projeto para melhorar o teor de ferro do minério de ferro extraído de sua planta em Congonhas (MG). Quem relata é Sergio Correa Botelho, diretor de Operações da Ferrous, e Thiago Ozorio Moreira, gerente de Operações da mineradora.

O escopo central do projeto, intitulado Viga 4+, é aumentar a qualidade do minério produzido na Mina Viga – e processado na planta – passando o teor de ferro de 61% para 65%, e reduzindo a sílica de 7,5% para 4,5%. O início da nova operação está previsto para novembro.

Hoje, de acordo com a Ferrous, a usina produz cerca 3,6 milhões de t/ano. No projeto Viga 4+ a meta num primeiro momento é alcançar 4 milhões de t/ano de produção de minério de ferro com melhor qualidade.

Sergio explica que a planta atual irá gerar um pré-concentrado de separação magnética com aproximadamente 43% de ferro para compor a alimentação da nova usina de moagem e flotação.

Com isso, a mineradora espera concentrar seu negócio no minério premium, que passou a ter maior rentabilidade no exterior, principalmente na China, com as restrições ambientais impostas naquele país – nas siderúrgicas chinesas o minério com maior teor de ferro emite menos gás carbônico. No mercado internacional, o minério premium deve ter pelo menos 65% de teor de ferro e 4,5% para baixo de sílica.

A implantação do projeto inclui na planta dois moinhos, dois ciclones, células de flotação e espessadores. O diretor conta que a ampliação da planta exigiu 350 pessoas no pico das obras.

O executivo relata ainda que o projeto piloto foi um trabalho de longa maturação, com estudos detalhados. A etapa mais complexa é a interligação da nova estrutura à antiga na mesma planta.

SÍLICA

Na unidade de beneficiamento de minério de ferro existente, a Ferrous já vinha trabalhando para reduzir a penalidade do contaminante sílica no concentrado de minério de ferro – o teor elevado de sílica reduz a margem de venda do concentrado.

Foram estudados vários métodos de concentração de minério de ferro e também se este minério possuía grau de liberação suficiente para concentrações adicionais. Nesta iniciativa, a principal solução adotada incluiu separador magnético de alta intensidade a úmido.

FICHA TÉCNICA
Ampliação da Ferrous
em Congonhas (MG)

Projeto básico: ECM Projetos Industriais
Projeto Executivo: Ausenco
Montagem: Milplan e Parex Engenharia
Equipamentos: FL Smidth
Moinhos: Citic
Automação e elétrica: IHM

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Projetos dão melhoria operacional e de produtividade à unidade industrial da Nexa Resources

A Nexa Resources desenvolveu dois projetos na unidade metalúrgica de zinco de Três Marias (MG), que proporcionaram melhoria operacional e de produtividade à empresa. Um foi a implantação de uma caldeira de biomassa para geração de vapor, importante insumo da planta; outro se relaciona à aumento de produtividade nas linhas de jumbo.
Em 2014 foi elaborado um estudo de oportunidades de energia na planta. Desse trabalho, identificou-se uma que previa a substituição dos combustíveis usados por alternativos, notadamente na geração de vapor.

O engenheiro Diogo Marcilio Alves da Silva, gestor de energia da Nexa em Três Marias, explica que a planta usa grande quantidade de energia térmica, sendo a etapa de processo realizada na autoclave como o de maior consumo (80% do vapor produzido para atender a unidade).

Assim, foi desenvolvido esse projeto de flexibilização de energia. A opção da empresa foi realizar parceria com um terceiro na geração de energia por biomassa em caldeira. A empresa escolhida foi a Combio, fundada em 2008 e com experiência em implantação de projetos desse tipo em outras plantas industriais.

Então, deu-se a realização do projeto na prática, sendo colocado em funcionamento no ano passado em uma área dentro do próprio complexo da Nexa em Três Marias – área cedida em regime de comodato

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Planta Industrial da Nexa Resources em Três Marias (MG)

De acordo com a Nexa, o modelo adotado de terceirização dessa atividade foi apoiado no fato de o negócio ser muito específico – a terceirização evitaria a imobilização de capital e, ao mesmo tempo, oferecia custos mais competitivos.

A planta de biomassa é alimentada por madeira de eucalipto, proveniente de floresta manejada e certificada – não muito distante da unidade industrial.

Na própria unidade florestal é realizado pela Combio o processo de trituração da madeira para adequar o produto à necessidade da caldeira, num volume de 6.000 t/mês. A madeira triturada é então transportada à planta da Nexa.

A unidade de vapor tem a capacidade de armazenamento de 300 m³ de biomassa em área coberta e de aproximadamente 4.000 m³ na área externa. O estoque é suficiente para operação à capacidade máxima da caldeira durante pelo menos quatro dias.

A Combio é responsável pela operação e manutenção do sistema. A biomassa chega até a fornalha da caldeira através de um sistema de alimentação composto por moega de recebimento, detector de metais e peneira classificatória.

O vapor gerado segue por tubulação de 10” até ser entregue no coletor, com produção máxima de 40 t/h – 23 bar. Porém, a produção da planta hoje é de 30 a 34 t/hora. O gestor de energia da Nexa explica que toda a planta em Três Marias consome 53 t/h de vapor.

Antes, na autoclave, existiam duas caldeiras a diesel para atendê-la. Ela consumia cerca de 15 t/h de óleo, gerando 33 mil t de gás carbônico por ano – equivalente a 20% de toda emissão da planta.

Agora, as duas caldeiras a óleo foram desativadas com o projeto – elas são acionadas quando necessário, como a manutenção da caldeira de biomassa. Isso representou redução de custo de R$ 12 milhões ao ano, segundo a Nexa.

O mesmo conceito será replicado para as demais unidades, prevendo a terceirização da produção de calor com empresas especializadas em energia. Em Juiz de Fora (MG), onde existe outra planta da Nexa, já há estudos para substituir também o gás natural por biomassa.

LINHAS DE JUMBO

A partir de uma demanda da área comercial do grupo controlador da Nexa Resources, a Votorantim, foi implementado projeto de aumento de produtividade nas linhas de jumbo da unidade industrial de Três Marias. A equipe de Desenvolvimento de Mercado identificou que alguns dos clientes da empresa estavam migrando para a compra dos produtos no formato de jumbos (de 1 a 2 t), abandonando o formato tradicional de barras.

Com isso, o engenheiro Marcos Ávila, coordenador de produção da unidade, explica que foi identificado e executado melhorias que aumenta a capacidade das linhas de jumbo. O objetivo foi elevar a produção das linhas de Jumbo em 10%, garantindo mais competitividade no mercado de zinco.

A produção média das linhas de jumbo era de 227 t/dia, medida entre janeiro de 2017 a fevereiro de 2018. A meta inicial foi chegar a 250 t/dia. Dessa forma, foi mapeada 65 oportunidades de melhorias. Para implantação do projeto, adotou-se a metodologia Kaisen de melhoria contínua e ganho rápido.

O projeto buscou unir a multidisciplinaridade dos profissionais da companhia em Três Marias para melhorar a produção nas linhas de Jumbo. Após a classificação do impacto nas 65 oportunidades selecionadas, chegou-se a uma lista de 25 soluções para serem implementadas. Dentre as ações mapeadas, incluíam alteração dos padrões de especificação dos pesos dos lingotes; limpezas internas nos fornos para aumentar o volume útil; alteração do padrão de abastecimento dos fornos; alteração das rotas de inspeção da manutenção; e mudanças dos planos das preventivas dos equipamentos.

O coordenador conta que foi feita a priorização de oportunidades para serem implementadas. O plano de ação foi adotado em duas semanas, em fevereiro de 2018. Como resultado, houve aumento do peso dos produtos da linha de jumbos, alcançando 283 t/dia, ficando acima da meta de 250 t/dia. Isso significou 25% de aumento da produção.

As conclusões indicam que a metodologia Kaizen foi eficaz e replicável à maioria dos projetos de melhoria da empresa. Assim, segundo Marcos Ávila, os próximos passos será a replicação da metodologia Kaizen para as demais linhas de produção e para outras unidades da Nexa. “A participação da operação e da manutenção, pensando conjuntamente como melhorar o dia a dia da produção, foi fundamental para alcançar tais resultados”, afirma o engenheiro.

Segundo ainda Marcos, a iniciativa ressalta que pequenos projetos podem trazer grandes resultados para a empresa. “Mais do que o impacto em termos de ganho na produção para a companhia, o projeto Kaizen revela ganhos na integração e engajamento dos empregados, deixando-os motivados e mais analíticos para a busca da melhoria contínua”, afirma.

APOSTA EM MELHORIAS

O gerente-geral da planta, Warley José Gomes Pereira, aposta nas melhorias de processos para ganho de produtividade e redução de custos. Ele tem incentivado os especialistas da companhia para produção de projetos, como estes apresentados anteriormente.

Ele conta que há mais de uma dezena de projetos de melhoria feitos ano passado pelos colaboradores. Os projetos nascem a partir de ocorrências detectadas no dia a dia.

A Nexa Resources é a união da Votorantim Metais, e da Milpo, no Peru, com atuação na mineração de zinco, cobre, chumbo e outros. A empresa faz parte do grupo Votorantim.

A companhia possui operação de mineração no Peru, com sete minas, Morro Agudo (município de Paracatu), com duas minas, e Vazante, ambas em Minas Gerais. São três plantas metelúrgicas Cajamarquilla (Peru), Três Marias e Juiz de Fora (MG).

A unidade de Três Marias foi fundada em 1969. Trata-se de uma planta metalúrgica com tecnologia para tratamento integrado de concentrados com qualidade química distintas (silicatado e sulfetado).

Das duas minas de Morro Agudo provém o zinco silicatado (72% do minério processado na planta). Já de Vazante, o zinco sulfetado (11% do minério processado na planta) – as minas do Peru são também de sulfetado e de 17% da produção de lá vem para a planta de Três Marias.

Nesta metalúrgica faz-se lingotes de zinco, ligas especiais e óxido de zinco. Em 2017, produziu-se 191,9 t de produto.

O investimento na planta ano passado atingiu R$ 117 milhões.

Nos últimos sete anos a unidade industrial fez investimentos socioambientais na região de R$ 9 milhões. O objeto das iniciativas é contribuir com o desenvolvimento local de Três Marias e do município vizinho de São Gonçalo do Abaeté, com foco no apoio à gestão pública, educação e geração de trabalho e renda.

 

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Vale pode investir US$ 1 bi em Salobo

A Vale, que está conseguindo se capitalizar em função das vendas crescentes de minério de ferro de Carajás para a China, deve aprovar uma expansão de US$ 1 bilhão de sua mina de cobre no Brasil, segundo fontes do mercado.

Desenvolver a terceira etapa de Salobo levaria cerca de três anos para ser concluída e adicionaria cerca de 50 mil t/ano à capacidade da mina no Estado do Pará. Salobo atualmente produz cerca de 200.000 t de cobre por ano.

O plano da vale de investir no novo projeto de cobre ocorre na medida em que os estoques mundiais do metal caem – há um consenso crescente no mercado de que o cobre estará em déficit já no próximo ano.

A Vale, com sede no Rio de Janeiro (RJ), continua a colher as recompensas da crescente demanda da China por seu minério de ferro de baixo custo e qualidade superior. Ao mesmo tempo, a Vale está produzindo em níveis recordes, enquanto a desvalorização do real está aumentando os lucros da empresa.

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Yara assume controle da Galvani

A norueguesa Yara fechou acordo com a família Galvani para comprar 100% das ações da Galvani Indústria, Comércio e Serviços, encerrando assim uma disputa judicial entre os dois.

A Yara Brasil, líder local no mercado de fertilizantes, também vai comprar 100% dos ativos em que a Galvani detinha participação minoritária: o projeto Serra do Salitre e uma unidade industrial.

O valor da operação não foi divulgado, porém a Yara aceitou pagar cerca de US$ 70 milhões pelos dois ativos.

 

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Randgold e Barrick criam a maior mineradora de ouro do mundo

A compra de 75% das ações da britânica Randgold Resources pela canadense Barrick Gold cria a maior mineradora de ouro do mundo. O negócio é avaliado em US$ 18 bilhões, de acordo com informações do mercado.

Ambas empresas fazem extração de aproximadamente 182 milhões de quilos do metal por ano. A Barrick e a Randgold esperam que a fusão lhes permita reduzir custos e aumentar as margens de lucro, em um ano que a queda do preço de ouro tem sido constante.

As minas da Barrick estão localizadas nas Américas. Já os ativos da Randgold, na África – e considerados em locais de maior risco.

 

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Vale estuda ampliar S11D

Peter Poppinga, diretor-executivo da Vale, disse durante conferência do setor que a mineradora estuda a expansão do projeto S11D, em Carajás (PA) – mesmo com o projeto sem ter terminado o seu ramp up.

O S11D foi inaugurado no final de 2016. Maior consumidora global de minério utilizado na produção de aço, a China aumentou suas compras de minério de ferro de maior qualidade, menos poluente, para atender nova legislação naquele país, beneficiando diretamente o projeto da Vale em Carajás.

Com isso, o executivo da empresa expôs essa tendência, já que o minério de ferro no Pará possui elevado teor. Ano que vem a mineradora brasileira acredita que a produção de minério de ferro do S11D deve ficar próxima de 90 milhões de t – este ano está a produção está prevista alcançar 60 milhões de t.

 

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Mineração busca agenda positiva em meio às mudanças e novo ciclo

Em evento organizado pelo Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), em São Paulo (SP), no último dia 15 de agosto, sobre “Os Desafios da Indústria Mineral Brasileira”, ficou evidente a necessidade de o setor assumir agenda mais positiva no País em vários aspectos, em meio a um novo ciclo do mercado global e o recém-aprovado marco regulatório. O encontro teve a participação de especialistas em mineração.

Vicente Lobo, secretário de Geologia, Mineração e Transformação Mineral do Ministério de Minas e Energia, comentou no evento que o novo Código da Mineração tem sido capaz de desperta mais interesse internacional em investir no Brasil, embora o novo marco “foi o que pôde ser feito na situação de momento do País”.

Ele também destacou a necessidade da mineração se relacionar mais com a sociedade. “É preciso melhorar a comunicação, inclusive apontando suas fraquezas”, afirmou. Vicente crê que em 5 a 10 anos a mineração pode chegar a 6% do PIB.

Por outro lado, Roberto Castello Branco, diretor do Centro de Estudos em Crescimento e Desenvolvimento Econômico da FGV, em sua palestra, destacou que o Brasil é quarto País mais rico do mundo em reservas minerais (atrás apenas da Austrália, África do Sul e Rússia), mas que essa “herança geológica não tem sido suficiente para atração de investimentos”.

O professor acha que no horizonte de longo prazo, o ambiente institucional será muito relevante no setor. “Embora a América Latina tenha ficado mais atrativa de 25 a 30% do investimento global em exploração mineral, principalmente no Chile, Peru e México, o Brasil diminui nesse aspecto pela percepção de riscos”.

O diretor afirma que a licença social para operar será crescente nos próximos anos. “Investimentos em sustentabilidade e projetos sociais em benefício das comunidades próximas às operações são essenciais”, disse.

Ele afirma ainda que há um foco hoje muito grande em estender a vida útil dos ativos de mineração e, por isso, a inovação ganhou um papel muito relevante.

Júlio Cesar Maciel Raimundo, superintendente da Área de Indústria e Serviços do BNDES, na sua participação no evento, demonstrou estranheza pelo fato de existirem grandes projetos de cobre em perspectiva no mundo, que somam 2,5 milhões de t, e não envolverem o Brasil – no entanto, mais de 20% das reservas no País são do mineral, perdendo apenas para o minério de ferro, com 35%.

“O ferro mantém nível elevado do comércio transoceânico. O cobre e o zinco possuem trajetória de crescimento do consumo”, disse. Júlio acredita em novos investimentos em tecnologias e processos na mineração, focados na sustentabilidade e equipamentos de alto desempenho.

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Anglo American mapeia 529 km do mineroduto por dispositivo instrumentado para garantir segurança no retorno da operação

Augusto Diniz – Belo Horizonte (MG)

O mineroduto de 529 km da Anglo American, que liga a mina e a planta de minério de ferro da empresa, nos municípios de Conceição do Mato Dentro e Alvorada de Minas (MG), ao porto de Açu, em São João da Barra (RJ), terá minuciosa análise de dados gerados a partir de inspeções realizadas pelo pipeline inspection gauge (ferramenta de investigação de dutos), conhecido como PIG. O dispositivo, além de realizar limpeza no mineroduto, é capaz de identificar ocorrências anormais como amassamento, fissuras e corrosões.

“A retomada da operação do mineroduto só será feita quando a segurança de toda extensão do mineroduto estiver atestada”, afirma Ivan Simões Filho, diretor de Assuntos Corporativos da Anglo American. Dois incidentes ocorridos em março de 2018 na estrutura fizeram com que a empresa optasse pela paralisação das operações e realizasse varredura detalhada no mineroduto subterrâneo em toda a sua extensão.

Considerado modal seguro para transporte de polpa de minério (70% de ferro e 30% de água), a mineradora afirma que a garantia da integridade de suas operações é algo fundamental. A polpa de minério, ao chegar no porto do Açu, antes de embarque, passa pelo processo de retirada da água.

Ivan relata que o procedimento padrão para inspeção completa com uso de PIG instrumentado é a cada cinco anos. Antes de se iniciar as operações do mineroduto da Anglo American, em 2014, foi realizada a inspeção PIG Zero – o que seria a avaliação completa da estrutura tubular e de suas condições de funcionamento. “Porém, um ano antes da inspeção, infelizmente ocorreram os incidentes”, diz.

Os incidentes ocorreram em dois tubos, distante cerca de 200 m um do outro, logo após a estação de bombeamento 2 (EB2) no município de Santo Antônio do Grama (MG). “A hipótese é falha na solda nos dois tubos. Trata-se da mesma série de entrega de duto, que já foram substituídos”, conta Ivan.

O trecho pós-EB2, onde houve os problemas, é em elevação, mas o executivo descarta que isso possa ter afetado os dutos, já que a operação trabalhava com pressão média de 185 bar no mineroduto, quando a capacidade em sua extensão é de 210 bar.

O mineroduto é composto pela estação de bombas 1 (que impulsiona a polpa de minério de ferro a partir da planta), dando início a operação, a EB2, e uma estação de válvulas em Tombos (MG).

PIG instrumentado

O PIG é um dispositivo que percorre o duto internamente. Há vários tipos. No entanto, o mais avançado, preciso e com recursos tecnológicos é o PIG instrumentado. “Ele permite a geração e posterior análise de um vasto conjunto de dados que proporcionam alta confiabilidade na avaliação da integridade do mineroduto”, explica Ivan.

O PIG é fabricado sob medida, mas o dispositivo é capaz de se adaptar aos 16 tipos diferentes de espessura das tubulações do mineroduto da Anglo American, onde os diâmetros variam entre 24 e 26 polegadas.

O equipamento possui equipamentos de localização e dispositivos e sensores capazes de descriminar com precisão amassamentos, ovalizações, restrições de diâmetros e outras eventuais deformidades nas tubulações.

Impulsionado por água, ele vem fazendo varredura palmo a palmo os 44 mil tubos que compõem o sistema do mineroduto, desde da planta até o porto. Em todo percurso captara dados que utilizado pela empresa serão capazes de indicar com precisão 100% das irregularidades identificadas por meio de variações na sua forma de inspeção (geométrica, magnética e ultrassom).

Os dados captados pelo PIG estão sendo enviados para o sistema de supervisão e aquisição de dados (Scada). Para armazenar dados para o Scada, foi construído paralelo ao duto um sistema de fibra ótica capaz de armazenar e transmitir informações por meio de voz, dados e vídeo.

Salas de controle localizada nas duas estações de bombeamento recebem esse conjunto de informações. Os dados obtidos a partir do PIG instrumentado vão permitir o dimensionamento real e minucioso das condições do mineroduto, com informações precisas para orientar os procedimentos de segurança.

Atualmente, a Anglo American está quase concluindo a coleta dos dados da tubulação, mas precisará de 60 a 90 dias para análise e diagnóstico das informações coletadas e possíveis medidas corretivas.

Em maio, a empresa já havia feito limpeza do mineroduto para retirar a polpa de minério que ficou retida por conta dos incidentes e possibilitar a passagem de equipamento de inspeção.

É possível que o mineroduto volte a operar quase próximo ao início da operação da Etapa 3 e última – hoje em obras – do projeto da Anglo American em Conceição do Mato Dentro, para atingir a meta final de produção de 26,5 milhões de t/ano de minério de ferro. “Não economizaremos recursos no que que tem que ser feito para o mineroduto voltar a operar com segurança”, finaliza Ivan Simões Filho.

A Anglo American fez grande esforço para a limpeza dos impactos causados pelos incidentes com o mineroduto da empresa e deu recentemente início à execução do plano de recuperação de áreas degradadas no município atingido. Em março, no período dos incidentes, a empresa chegou a construir uma adutora do Ribeirão Salgado, que passou a abastecer a Estação de Tratamento de Água (ETA) de Santo Antônio do Grama e, assim, atender a localidade.

A adutora foi uma alternativa de captação de água, já que a do Ribeirão Santo Antônio do Grama, que abastecia a cidade, havia sido atingida pelo vazamento do mineroduto e precisava voltar a ficar apto para receber a captação.

 

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